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Mundo

Um terço da população mundial está em isolamento; veja medidas de diferentes países para conter o coronavírus

27 MAR 2020Por Redação20h:23

Pelo menos 2,8 bilhões de pessoas, o que representa mais de 1/3 da população mundial, vive atualmente sob algum tipo de restrição de circulação para conter o rápido avanço da Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2), aponta um balanço da agência France Presse (AFP).

Estamos em um momento em que pandemia se acelera em uma taxa exponencial - os últimos 100 mil novos casos no mundo foram registrados em apenas dois dias

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que os países tomem medidas duras que favoreçam o isolamento físico das pessoas, apesar do custo social e econômico significativo.

“Sem ação agressiva em todos os países, milhões poderão morrer”, declarou o diretor-geral da organização, Tedros Ghebreyesus, em 25 de março

As regras de isolamento social, que variam de país para país, têm por objetivo diminuir o tempo de transmissão do vírus de pessoa a pessoa, dando aos governos tempo para equipar e fortalecer seus sistemas de saúde com equipamentos, expansão de leitos, construção de hospitais e contratação de profissionais de saúde.

Veja um resumo abaixo dos principais países em quarentena (regionais ou nacionais):

Fonte: Agências internacionais e imprensa local; os dados sobre Covid-19 são da Universidade Johns Hopkins; *os números da China não incluem Hong Kong

Em geral, o modelo de restrição depende do grau de disseminação da doença, do contexto político e do alinhamento com as recomendações da OMS

Costumam começar com limitações de aglomerações, suspensão de aulas, avançam com restrições na circulação e, nos casos mais extremos, preveem até toque de recolher e multa a quem sair de casa.

Veja mais detalhes das medidas de restrição em alguns destes países e saiba o que líderes de diferentes espectros políticos têm dito em relação à quarentena:

BRASIL, Jair Bolsonaro

No país, as medidas de quarentena têm sido adotadas pelos governos estaduais e municipais, que estão preocupados com a sobrecarga nos sistemas de saúde. Mesmo antes da crise do coronavírus, o Brasil já sofria com falta de leitos em UTI em muitas cidades.

No dia 16 de março, o governo do Rio implementou quarentena no estado todo, com fechamento de escolas, shows, cinemas e cancelamento de eventos públicos e culturais; restrição de aglomerações em bares e restaurantes. Naquela semana, outros estados anunciaram o fechamento de escolas e recomendaram que a população evitasse aglomerações.

Em 24 de março, foi a vez do estado de São Paulo entrar em quarentena, com o fechamento de serviços não essenciais, como nas áreas de saúde e segurança.

O governo do presidente Jair Bolsonaro se limitou a fechar as fronteiras terrestres com países da América do Sul, que não são hoje os maiores focos de casos de coronavírus. Em diversas manifestações, Bolsonaro tem criticado a atuação dos governadores e defendido que as cidades voltem à “normalidade” para evitar danos econômicos.

“Tem alguns governadores, no meu entender, eu posso até estar errado, mas estão tomando medidas que vão prejudicar em muito a nossa economia”, afirmou o presidente em entrevista em 17 de março.

Em pronunciamento na TV no dia 24, ele disse que “devemos sim voltar à normalidade. Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento de comércios e o confinamento em massa. O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o das pessoas acima dos 60 anos. Por que fechar escolas?”

CHINA, Xi Jinping

O presidente chinês, Xi Jinping (Partido Comunista), tomou medidas drásticas para conter o rápido avanço do novo coronavírus no país. A cidade de Wuhan, epicentro da epidemia foi totalmente isolada em 22 de janeiro. Ninguém podia entrar ou sair. Indústrias importantes, comércios, obras, escolas foram fechadas. Dois dias depois, a quarentena foi estendida a mais cidades da província de Hubei, chegando a atingir quase 60 milhões de pessoas. Toda a China passou a ter restrições de viagens internas e externas.

Ainda assim, o presidente foi acusado de não dar alertas mais incisivos no começo da epidemia. Um discurso dele divulgado pela TV estatal mostrou que ele estava no comando do combate ao surto do Covid-19 desde o princípio (7 de janeiro), e só ordenou o confinamento semanas depois.

“Em 22 de janeiro, diante da rápida propagação da epidemia e dos desafios de prevenção e controle, solicitei claramente que a província de Hubei implementasse controles abrangentes e rigorosos sobre a saída de pessoas”, disse ele em uma reunião do comitê permanente do Partido Comunista.

O país chegou a construir 16 hospitais temporários para atender à enorme quantidade de pessoas infectadas pelo novo vírus. Semanas após o confinamento em massa, a região começou a ver os números de casos caírem. No país, a taxa de transmissão local chegou a zerar.

Na última sexta-feira (20), a Organização Mundial da Saúde (OMS) elogiou o sucesso da China no controle do surto. “Wuhan oferece esperança ao resto do mundo de que mesmo a situação mais grave pode ser alterada”, disse o secretário-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em uma teleconferência em Genebra.

A partir de quarta-feira (25), habitantes saudáveis da província de Hubei começaram a circular livremente. Mas os que moram Wuhan terão que esperar até 8 de abril.

ITÁLIA, Giuseppe Conte

Os dois primeiros casos de coronavírus na Itália foram registrados na região norte, em 31 de janeiro. No mesmo dia, o governo suspendeu os voos com origem e destino da China. Desde 23 de fevereiro, os governos locais tomavam medidas para restringir a circulação, mas chegaram a ser criticadas pelo primeiro-ministro Giuseppe Conte, que disse que elas poderiam “gerar o caos”.

Nas semanas seguintes, conforme os casos de coronavírus disparavam, Conte recuou. Em 7 de março, toda a região norte foi colocada em “lockdown” (fechamento completo): ninguém podia entrar ou sair sem autorização, havia toque de recolher e todos os serviços não essenciais foram fechados.

“Estamos evitando que o sistema de saúde entre em colapso, as medidas restritivas funcionam", disse o primeiro-ministro Conte no dia 19 de março. Mas, naquele momento, a Itália já era o epicentro da epidemia na Europa, com mais de 41 mil casos de Covid-19 e quase 3 mil mortes.

Conte não foi o único líder italiano a voltar a atrás. Durante uma entrevista à TV RAI, o prefeito de Milão, Giuseppe Sala, afirmou que errou ao divulgar, no fim de fevereiro, um vídeo que dizia que a cidade não pode parar.

“Muitos se referem àquele vídeo que circulava com o título ’Milão não Para’. Era 27 de fevereiro, o vídeo estava explodindo nas redes, e todos o divulgaram, inclusive eu. Certo ou errado? Provavelmente, errado”, ele afirmou à RAI no domingo (22).

EUA, Donald Trump

Os Estados Unidos já passaram a China em número de casos de infecção por Covid-19. Por lá, as medidas restritivas demoram a ser tomadas - e foram decididas pelos governadores e prefeitos.

Apesar da demora, ao longo de março, vários estados começaram a decretar quarentena: apenas 20, dentre 57 estados e territórios americanos, não tomaram nenhuma medida de restrição de circulação. Ainda assim, praticamente todos suspenderam as aulas e restringiram aglomerações e o funcionamento de bares e restaurantes.

O fechamento do comércio não essencial ocorreu na maior parte dos estados e território - apenas 17 não aderiram ao pedido. Em alguns estados, como a Califórnia (o mais rico e populoso do país), o “lockdown” é completo: as pessoas só podem sair de casa para atividades essenciais.

Na última terça-feira (24), o presidente Donald Trump (Partido Republicano) chegou a defender a flexibilização do isolamento em várias partes dos Estados Unidos até meados de abril. “Nosso país não foi projetado para fechar. Você pode destruir um país dessa maneira, fechando-o”, disse ele à Fox News. Uma “grande recessão” poderá deixar mais vítimas do que o coronavírus, acrescentou.

No entanto, no dia seguinte, ele disse que não se precipitaria para pôr fim às medidas de isolamento.

Nesta semana, Trump enviou cartas à população norte-americana com diretrizes para o combate ao coronavírus, como a recomendação de ficar em casa e a de evitar contato com idosos. A primeira orientação da carta é escutar e seguir as determinações dos estados e autoridades locais.

COREIA DO SUL, Moon Jae-in

Logo após o surgimento dos primeiros casos, no fim de janeiro, o governo sul-coreano começou a rastrear os possíveis focos de transmissão no país, com monitoramento das pessoas suspeitas. Também estabeleceram quarentena para todas as pessoas que chegavam de Wuhan. Houve adoção de testes em massa da população e isolamento dos casos suspeitos e confirmados. Funcionários também foram estimulados a trabalhar de casa.

Em fevereiro, as autoridades descobriram um dos focos de transmissão e determinou quarentena na cidade Daegu, afetando 2,5 milhões de pessoas.

“O país inteiro entrou em guerra à doença infecciosa desde que a crise em Daegu e Gyeongbuk atingiu seu ápice”, disse o presidente Moon Jae-in (Partido Democrático) em uma reunião em seu gabinete em março, segundo a Reuters.

CHILE, Sebástian Piñera

O conservador Sebástian Piñera tem tomado medidas duras para proteger o país do coronavírus. Em 18 de março, ele decretou estado de exceção por catástrofe para poder restringir reuniões em espaços públicos, assegurar a distribuição de bens e serviços básicos, estocar alimentos e outros bens e impor quarentenas e toques de recolher.

As aulas e eventos públicos foram suspensos, e foi ordenada quarentena de 14 dias para todo mundo que chegasse de outro país.

Em 22 de março, o presidente decretou toque de recolher em todo o território nacional, das 22h às 5h do dia seguinte".

Fonte: G1 - Amanda Polato, Letícia Macedo e Laís Modelli

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