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El Niño se fortalece e causa tempestade na época mais seca do ano em Mato Grosso do Sul
O El Niño, fenômeno climático extremo que agrava o calor intenso e aumenta a força das chuvas, já provoca tempestades em Mato Grosso do Sul. Chuva forte atinge Campo Grande no início da manhã desta quinta-feira (30), causando alagamentos e derrubando árvores em diferentes bairros.
No entanto, o El Niño ainda está em formação, e a previsão da meteorologia é de que ele chegue à maior intensidade na primavera, entre setembro e novembro. Ou seja, este é apenas o início dos impactos do fenômeno no Estado, e as mudanças climáticas podem gerar ainda mais calor intenso e chuvas fortes.
As tempestades desta quarta-feira (30) foram antecedidas por dias de altas temperaturas em Mato Grosso do Sul, o que contribuiu para fortalecer as nuvens de chuva e provocar granizo. Nesta manhã, o acumulado de chuva chega a 41,8 milímetros em apenas duas horas, com ventos de 53,3 quilômetros por hora até as 7 horas.
“Essas condições de tempo mais instáveis com pancadas de chuva em julho não são normais. Julho é o mês menos chuvoso do ano junto com agosto”, explica o meteorologista Natálio Abrão. Trovoadas e raios, muito presentes na tempestade desta quinta-feira (30), também são incomuns neste período.
Estragos pela cidade
A intensa tempestade gerou alagamentos, derrubou galhos de árvores e arrastou estruturas em vários bairros de Campo Grande desde que começou, por volta de 4h30 desta quinta-feira (30).
Nas ruas José Peixoto e Antônio Prado, no Jardim Los Angeles, a água chegou a cobrir a calçada. Também há registro de alagamento nas ruas Paraisópolis e Professor Hilário da Rocha, além da Avenida Santo Eugênio, no bairro de mesmo nome, que fica na região do bairro Universitário.
A Avenida Gunther Hans, tradicional ponto de enchentes no Jardim Aero Rancho, também ficou debaixo d’água nesta manhã. O bairro Rita Vieira registrou alagamentos e rajadas de vento. No bairro Chácara Cachoeira, imagens registradas do alto de um prédio mostram chuva forte também na Avenida Afonso Pena.
Já no bairro Guanandi, caíram galhos de árvore do canteiro no cruzamento das ruas Valparaíso e Laudelino Barcelos. Na região do bairro Nova Lima, o vento forte derrubou estruturas metálicas de um shopping. “Os tapumes voaram com a força do vento”, escreveu uma testemunha ao Jornal Midiamax.
El Niño: chuva e calor
Os próximos meses de 2026 devem ser marcados por temperaturas acima da média histórica, chuvas irregulares e avanço gradual do fenômeno El Niño em Mato Grosso do Sul, segundo o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima).
De acordo com a instituição, projeções indicam que os meses de julho, agosto e setembro terão cenário de calor persistente e mudanças no padrão climático no Estado. MS tem tendência de chuvas ligeiramente acima da média histórica nesse período. No entanto, os meteorologistas alertam que a distribuição das chuvas deve ocorrer de forma irregular, com eventos concentrados em curtos períodos e intervalos prolongados de estiagem.
A previsão indica acumulados entre 100 e 200 milímetros na maior parte do Estado, podendo alcançar volumes entre 200 e 300 milímetros no extremo sul. Já nas regiões norte, nordeste e noroeste, a expectativa é de menos chuvas, variando entre 50 e 100 milímetros no trimestre.
Historicamente, durante o trimestre de julho a setembro, as temperaturas médias em Mato Grosso do Sul costumam variar entre 24°C e 26°C na maior parte do território. No extremo sul, os termômetros geralmente ficam entre 22°C e 24°C, enquanto no extremo noroeste as médias podem variar entre 26°C e 28°C. Para este ano, no entanto, a tendência é de registros superiores a esses padrões.
O que é El Niño?
Assim, no trimestre entre julho e setembro, a previsão indica El Niño de intensidade fraca a moderada. No entanto, os modelos climáticos apontam intensificação gradual nos meses seguintes. Entre setembro, outubro, novembro e dezembro, o fenômeno pode atingir intensidade forte a muito forte.
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Ele enfraquece os ventos alísios, altera a circulação atmosférica global e modifica os regimes de chuva e temperatura em várias partes do planeta.
Midiamax



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