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Economia

Benefícios sociais movimentam R$ 1,8 bilhão na economia de MS

Somente o programa Bolsa Família beneficiou mensalmente, em média, 200 mil famílias no Estado

22 JAN 2026Por Redação/EC08h:57

Os benefícios sociais destinados aos cidadãos de Mato Grosso do Sul injetaram mais de R$ 1,8 bilhão na economia estadual ao longo dos 12 meses do ano passado. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), somente o programa Bolsa Família destinou R$ 1,579 bilhão a MS entre janeiro e dezembro de 2025.

Já o programa Mais Social, mantido pelo governo do Estado, injeta mensalmente, em média, R$ 18 milhões na economia sul-mato-grossense, para atender mais de 40 mil famílias. Considerando essa média ao longo dos mesmos 12 meses, foram R$ 216 milhões disponibilizados no mercado local.

Somados, os dois programas de transferência de renda movimentaram R$ 1,795 bilhão na economia de Mato Grosso do Sul no período.

Conforme especialistas entrevistados pelo Correio do Estado, os recursos provenientes dos benefícios sociais são fundamentais para manter a economia aquecida, uma vez que garantem a circulação de dinheiro no comércio local.

No entanto, eles ponderam que esses programas também podem, em determinados contextos, dificultar a inserção dos beneficiários no mercado de trabalho formal.

Para o economista Eduardo Matos, os benefícios sociais têm duas vertentes de atuação: a primeira é a função social, voltada à inclusão econômica das famílias, e a segunda é o impacto econômico direto, já que os recursos financeiros são integralmente convertidos em consumo.

“Pelo ponto de vista econômico, a injeção de recursos financeiros na camada mais baixa da economia significa consumo, e o consumo, por sua vez, movimenta o comércio, tanto de bens quanto de serviços, o que impulsiona a economia local”, ressalta Matos.

O doutor em Administração Leandro Tortosa destaca que esses programas contribuem para “lubrificar as engrenagens que movimentam a cadeia econômica do País”, uma vez que há comprovação de que os valores impactam diretamente diversos setores.

Com base em um amplo estudo do Banco Mundial (“Cash Transfers and Formal Labour Markets – Evidence from Brazil”), Tortosa aponta que, a cada US$ 1,00 investido pelo governo, o benefício social retorna aproximadamente US$ 2,16 para a comunidade local.

“O estudo mostrou que, em média, 54% do gasto dos beneficiários é destinado a serviços, sendo dois terços realizados em lojas físicas”, explica.

Já o especialista em Gestão de Pessoas Carlos Ornellas apresenta um contraponto a essa conclusão, ao citar um estudo divulgado em 2024 pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

Segundo o levantamento, a ampliação dos benefícios do Bolsa Família nos últimos anos tem contribuído para a redução da busca por emprego entre grupos mais vulneráveis da população, como mulheres, jovens e trabalhadores com menor escolaridade.

“Com o aumento expressivo no valor médio do benefício, que praticamente triplicou em relação ao patamar pré-pandemia, observou-se um efeito direto e relevante na queda da participação laboral”, explica.

Mais Social

O programa Mais Social atende, em média, 40 mil pessoas em Mato Grosso do Sul, cada uma recebendo mensalmente R$ 450. De acordo com dados da transparência do governo estadual, o benefício injeta cerca de R$ 18 milhões por mês nas famílias cadastradas.

Criado pelo governo do Estado, o programa é voltado a famílias em situação de vulnerabilidade social e insegurança alimentar e nutricional, com o objetivo de promover inclusão social e ampliar o acesso a políticas públicas.

Segundo a Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos (Sead), o Mais Social assegura o mínimo necessário para a mesa de milhares de famílias.

Com ações de mapeamento e busca ativa de famílias em situação de vulnerabilidade, além do aperfeiçoamento e da inversão da lógica dos programas sociais, mais de 40 mil pessoas deixaram a condição de pobreza no Estado entre 2023 e 2024, de acordo com a Síntese dos Indicadores Sociais, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em dezembro.

“Fizemos o diagnóstico e a adequação dos nossos programas sociais para que se transformassem em programas estruturantes, acabando com o assistencialismo e inserindo as pessoas na vida produtiva por meio de incentivos positivos. Com isso, estamos perseguindo a erradicação da extrema pobreza e a redução da pobreza”, afirma a secretária de Assistência Social e dos Direitos Humanos, Patrícia Cozzolino.

Ainda conforme o IBGE, a proporção de pessoas em condição de extrema pobreza em Mato Grosso do Sul caiu 40,74% em dois anos, passando de 2,7%, em 2022, para 2,0%, em 2023, e, finalmente, para 1,6%, em 2024. O instituto considera extremamente pobres as famílias que recebem até US$ 2,15 por dia.

Para reduzir ainda mais esse índice, a Sead realiza, desde 17 de março de 2025, uma busca ativa em todo o Estado.

Por meio do cruzamento de dados e do uso de georreferenciamento, equipes do Mais Social estão percorrendo os 79 municípios sul-mato-grossenses para incluir no programa famílias vulneráveis que ainda não recebem nenhum benefício.

Nacional

Em dezembro, o valor médio do Bolsa Família em Mato Grosso do Sul foi de R$ 701,84, totalizando R$ 125,6 milhões repassados a 180,3 mil famílias nos 79 municípios do Estado.

Relançado em março de 2023 pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o programa garante um benefício mensal mínimo de R$ 600, com acréscimos conforme a composição familiar. Entre os adicionais está o Benefício Primeira Infância, de R$ 150 por criança de zero a 6 anos.

Em Mato Grosso do Sul, 109 mil crianças nessa faixa etária recebem o valor extra, o que representa um investimento superior a R$ 15,2 milhões.

Outro adicional é o de R$ 50 destinado a crianças e adolescentes de 7 a 18 anos, além de gestantes e nutrizes. No Estado, 166,7 mil crianças e adolescentes recebem esse complemento, assim como 7,3 mil gestantes e 3,3 mil nutrizes, com aporte superior a R$ 8 milhões.

Campo Grande é o município com o maior número de beneficiários em Mato Grosso do Sul neste mês, com 45,6 mil famílias atendidas. Na sequência aparecem Dourados (12.240), Corumbá (9.025), Ponta Porã (8.526) e Três Lagoas (7.006).

Paranhos lidera o ranking de maior valor médio do benefício no Estado, com R$ 809,27 neste mês. Em seguida estão Ladário (R$ 741,94), Corumbá (R$ 735,26), Maracaju (R$ 734,93) e Miranda (R$ 734,11).

Outra inovação da atual versão do Bolsa Família é a regra de proteção, que permite aos beneficiários permanecerem no programa por até um ano mesmo após conseguirem emprego com carteira assinada ou aumento de renda.

Nesses casos, a família passa a receber 50% do valor do benefício. Esse mecanismo alcançou, em dezembro, 2,3 milhões de famílias em todo o País.

“A pessoa sai do Bolsa Família, mas não do Cadastro Único. Se lá na frente perder o emprego ou a renda, retorna automaticamente à proteção social. São quase um milhão de famílias no Brasil que agora têm mais dignidade. Isso mostra que o povo do Bolsa Família quer trabalhar, quer emprego decente e ajudar o Brasil a crescer”, diz o ministro Wellington Dias.

Fonte: correiodoestado.com.br 

Leia mais em: https://correiodoestado.com.br/economia/beneficios-sociais-movimentam-r-18-bilhao-na-economia-de-ms/460977/

M9

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