Polícia
Operação apreende 1 tonelada de emagrecedores na central dos Correios de Campo Grande
Medicamentos ilegais eram escondidos dentro de cabeças de bonecas e ursos de pelúcia para enganar a fiscalização em MS.
Uma operação conjunta entre a Vigilância Sanitária e a Secretaria Estadual de Saúde (SES) apreendeu cerca de uma tonelada de medicamentos emagrecedores ilegais no centro logístico dos Correios de Campo Grande, ao longo dos últimos 75 dias. As cargas, na maioria de origem paraguaia, foram interceptadas em diversos envios. O balanço das apreensões foi divulgado nesta segunda-feira (20).
A operação, batizada de "Visa-Protege", monitorou encomendas suspeitas no Centro de Distribuição e Triagem nos últimos dois meses e meio. Segundo a fiscalização, os produtos não possuem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e eram enviados escondidos em objetos como cabeças de bonecas, potes de creme e ursos de pelúcia para despistar o raio-x.
Recentemente, o g1 mostrou como a posição geográfica estratégica de Mato Grosso do Sul fez com que o estado se tornasse uma das principais rotas de entrada ilegal de canetas emagrecedoras no Brasil. Segundo especialistas, os criminosos passaram a contrabandear esses medicamentos usando as estradas historicamente exploradas pelo tráfico de cocaína e maconha.
Riscos à saúde e falta de registro
Os medicamentos apreendidos incluem substâncias como TG, Lipoless, Tirzec e Retatrutida. Além da ausência de autorização sanitária, os produtos eram transportados sem controle de temperatura, o que compromete a eficácia e segurança, já que muitos exigem refrigeração.
O gerente de Apoio aos Municípios da Vigilância Sanitária, Matheus Pirolo, ressaltou que a falta de rastreabilidade é o maior perigo ao consumidor:
"O principal objetivo não é combater a tecnologia em si, que é ótima, mas sim o uso irracional dessa tecnologia. Estamos falando de produtos sem controle sanitário, sem registro, sem rastreabilidade, transportados fora das condições adequadas e sem qualquer acompanhamento médico", afirmou Pirolo.
Rota do crime: da fronteira ao Nordeste
A investigação identificou um padrão logístico no envio das encomendas: os produtos entram pela fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai e são postados para estados nordestinos, onde seriam entregues diretamente ao consumidor final.
"São objetos postais enviados principalmente da região de fronteira de Mato Grosso do Sul, e o destino frequente é o Nordeste", detalhou o gerente. Estratégias como ocultar os frascos em caixas de tereré vêm sendo sistematicamente desmanteladas pelo monitoramento constante nos centros de triagem.
Punições e descarte do material
Todo o material está sob custódia da Secretaria Estadual de Saúde e será incinerado pela Polícia Civil, seguindo o mesmo processo utilizado para drogas ilícitas. Não foi divulgado quando os medicamentos serão descartados.
Estabelecimentos como clínicas de estética e farmácias que comercializarem esses produtos estão sujeitos a:
- Multas;
- Interdição cautelar por até 90 dias;
- Apreensão de estoques.
No âmbito criminal, os responsáveis podem responder por contrabando, crime contra o consumidor e exercício irregular da profissão.
g1 MS



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