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6º feminicídio em MS em 2026

Após matar esposa, homem usou celular da vítima e passou o dia com corpo em casa em MS

Após matar esposa, homem usou celular da vítima e passou o dia com corpo em casa em MS

8 MAR 2026Por Redação/VS 19h:42

No Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), o desabafo de uma filha expõe os detalhes de mais um feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul. Leisiane Cruz Vieira perdeu a mãe, Leise Aparecida Cruz, de 40 anos, assassinada dentro de casa na sexta-feira (6), em Anastácio, e decidiu contar a história para que a morte dela não seja apenas mais um número nas estatísticas da violência contra mulheres. Edson Campos Delgado confessou ter matado a mulher pela manhã, chamado o socorro de noite e usado o celular da vítima para enganar familiares.

Em relato enviado ao Campo Grande News, a jovem descreve a data como “o dia mais doloroso da minha vida”.

Segundo a investigação, o principal suspeito do crime é Edson Campos Delgado, marido da vítima. O delegado responsável confirmou que ele confessou ter matado Leise por volta das 7h da manhã.

Mesmo depois do crime, ele permaneceu na casa durante todo o dia com o corpo da mulher. Às 8h30, uma mensagem chegou ao celular de Leisiane, enviada do WhatsApp da mãe. “Bom dia flor do dia".

Era exatamente assim que Leise costumava falar com a filha todos os dias. Sem imaginar o que havia acontecido, Leisiane respondeu normalmente. Só mais tarde descobriria que, naquele momento, a mãe provavelmente já estava morta. Segundo a filha, depois daquela conversa o celular de Leise deixou de responder.

Somente no fim da noite, por volta das 23h, Edson entrou em contato dizendo que a mulher estava passando mal e que havia chamado socorro. Pouco depois, afirmou que a levava ao hospital.

Às 1h58 da madrugada, ligou para o marido de Leisiane informando que Leise havia morrido. Até então, a família acreditava que poderia se tratar de um problema de saúde.

A verdade começou a aparecer após a análise inicial do IMOL (Instituto de Medicina e Odontologia Legal), que apontou sinais de asfixia. Diante das evidências, o homem acabou confessando o crime.

Relacionamento que mudou

Leisiane conta que o relacionamento entre os dois nem sempre parecia violento.

Eles se conheciam desde a época da escola e já haviam sido casados anteriormente com outras pessoas. Anos depois, se reencontraram e começaram a relação, cerca de cinco anos atrás.

Da união nasceu um menino, hoje com três anos, que após a morte da mãe passou a ficar sob os cuidados dos avós.

Segundo a filha, no início Edson demonstrava ser uma pessoa completamente diferente.

“Ele era um doce, um anjo, muito carinhoso. Quando foram morar juntos ele começou a ser completamente possessivo. Controlava o dinheiro dela, fazia violência financeira para que ela não pudesse sair de casa.”

De acordo com a filha, a mãe falava sobre o sofrimento dentro da relação e chegou a dizer que pensava em denunciá-lo. “Ela dizia que ia denunciar, mas tinha medo.”

Dor que vira denúncia

No texto enviado à reportagem, Leisiane descreve a mãe como uma mulher cheia de vida e profundamente dedicada aos filhos. “Minha mãe sempre foi uma pessoa extremamente alegre, cheia de vida, cheia de luz. Quem conhecia a Leise sabia que ela iluminava qualquer ambiente.”

Para a filha, falar sobre o que aconteceu também é uma forma de impedir que a história da mãe seja esquecida. “Minha mãe não era apenas mais um nome. Ela era filha, mãe, amiga. Uma mulher cheia de sonhos.”

A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio, o sexto registrado em Mato Grosso do Sul em 2026.

A Central 180 funciona 24 horas, de graça, e a ligação pode ser anônima. Em caso de emergência, procure a polícia pelo 190. Violência contra mulheres, crianças, idosos ou qualquer pessoa não pode ser silenciada.

CGNEWS

 
  • Leise Aparecida Cruz foi encontrada morta dentro de casa. Foto: Reprodução
  • Mãe e filha em encontro recente. Foto: Direto das Ruas
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