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66ª fase da Lava Jato apura lavagem de dinheiro praticada por funcionários do Banco do Brasil

27 SET 2019Por Redação14h:21

A 66ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta sexta-feira (27), apura lavagem de dinheiro praticada por doleiros e funcionários do Banco do Brasil, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF).

Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em São Paulo (SP) e um em Natal (RN). Os policiais federais cumprem essas ordens judiciais nas casas dos funcionários da instituição financeira e em uma agência de câmbio. Não há buscas em agência ou sede do Banco do Brasil.

O MPF informou que o Banco do Brasil colaborou com a operação com provas colhidas a partir de uma investigação interna.

O Banco do Brasil disse que vem colaborando com as autoridades na operação Alerta Mínimo, já tendo iniciado processos administrativos que podem resultar na demissão dos funcionários envolvidos.

Segundo o MPF, esta etapa da Lava Jato investiga três gerentes e um ex-gerente do Banco do Brasil que atuaram para facilitar a realização de operações de lavagem de dinheiro entre os anos de 2011 e 2014. As movimentações superaram R$ 200 milhões.

Os suspeitos, conforme a PF, atuaram em benefício de empresas que contratavam com a Petrobras e necessitavam de dinheiro em espécie para o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.

Os gerentes são vinculados a três agências do Banco do Brasil em São Paulo.

Esta fase foi deflagrada agora porque, de acordo com os procuradores do MPF, um dos gerentes investigados e que está na ativa aderiu ao programa de demissão voluntária, em que é paga uma indenização de R$ 250 mil. Ele receberia essa quantia na próxima semana.

"O Banco do Brasil servia como garçom para dinheiro em espécie", disse o procurador Roberson Pozzobon ao relatar o que um funcionário da instituição bancária relatou à investigação.

'Alerta Mínimo'

Esta nova etapa da Lava Jato foi batizada de "Alerta Mínimo". Este nome faz referência aos alertas de operações atípicas do sistema interno do banco para o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) – que hoje se chama Unidade de Inteligência Financeira (UIF) – serem encerrados por meio de argumentos apresentados por gerentes de agência, sem apontar indícios de lavagem de dinheiro.

Nas investigações, de acordo com a PF, documentos revelados por colaboradores mostram que um doleiro produziu, pelo menos, R$ 110 milhões em espécie. O nome desse doleiro ainda não foi informado. Esse dinheiro viabilizava o pagamento de propinas, segundo a PF.

Os procuradores citaram nomes de vários doleiros que participaram das ações investigadas nessa fase. Três deles – Roberto Trombeta, Carlos Arturo Júnior e Rodrigo Morales – foram alvos de buscas nesta sexta-feira, segundo Pozzobon.

Outros doleiros conhecidos de outras fases da operação também foram mencionados agora, como Silvio Preto, Nelma Kodama e Raul Henrique Srour. Esses doleiros não foram alvos de busca e apreensão nesta nova etapa da Lava Jato.

O G1 tenta localizar a defesa dos doleiros.

Pozzobon disse que chamou a atenção o fato de um ex-gerente do Banco do Brasil firmar um termo de compromisso entre empresas de fachada e empresas de um doleiro.

Conforme a PF, a produção de dinheiro em espécie envolvia trocas de cheques que eram obtidos no comércio em São Paulo. Além disso, houve abertura de contas sem documentação necessária ou com falsificação de assinaturas em nome de empresas do ramo imobiliário.

"A atuação dos gerentes foi necessária para que as organizações criminosas movimentassem o dinheiro", afirmou Pozzobon.

A suspeita da PF é de que gerentes de agências bancárias participavam do esquema ao dar suporte às operações de desconto de cheques. Eles também, de acordo com a PF, elaboravam justificativas internas para evitar fiscalizações e ações de compliance.

Os funcionários, em troca, recebiam comissões dos operadores e vendiam produtos da agência para atingir metas, segundo a PF.

'Falhas de controle'

"Nos preocupa a utilização do sistema financeiro nacional para lavagem de dinheiro", disse a procuradora Laura Gonçalves Tessler.

A procuradora explicou que, diferentemente do que acontecia com as empreiteiras investigadas em outras fases da Lava Jato, o caso no Banco do Brasil foi isolado.

"As falhas de controle foram localizadas. Não é uma política empresarial, como nas empreiteiras investigadas", afirmou.

De acordo com Laura Gonçalves Tessler, os funcionários envolvidos "expressamente defenderam as irregularidades" para que o esquema se perpetuasse.

Fonte: José Vianna e Thais Kaniak, RPC Curitiba e G1 PR

M9

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