Eis o tempo de conversão, a Quaresma, tempo litúrgico que transcorre por 40 dias, aos quais nós somos convidados a viver a oração, o jejum e a caridade que são práticas que nos convidam a ir além da nossa vida cotidiana, buscar um encontro mais profundo com nossa fé e a nossa humanidade. Cada um desses pilares tem sua função, para nos oferecer um caminho de conversão e transformação.
A oração é o ato de abrir o coração a Deus. Ela é a forma mais íntima e direta de nos comunicarmos com o Criador, buscando Sua orientação, consolo e sabedoria. A oração não se resume a palavras, mas é uma atitude do coração, um espaço de silêncio e reflexão onde podemos ouvir a voz divina em nossa vida. Quando oramos, buscamos mais do que respostas; buscamos um relacionamento profundo com Deus, reconhecendo nossa dependência D'Ele e a necessidade de Sua Graça.
O jejum é muitas vezes visto como uma forma de renúncia, ao qual a pessoa se abstém de alimentos ou outros prazeres materiais por um período de tempo. Contudo, seu verdadeiro significado vai além do simples ato de não comer. O jejum é uma oportunidade de desapego, um convite a refletirmos sobre as coisas que nos prendem e nos distraem daquilo que realmente importa. Ao nos abster de algo, nos abrimos para a reflexão, para a oração e para o autoconhecimento. O jejum, nesse sentido, nos ajuda a fortalecer a nossa disciplina e a focar nossa atenção no que é espiritual, em vez de nos perdermos no imediatismo das necessidades físicas.
A caridade é a expressão mais concreta do amor cristão. Ela nos chama a olhar para o outro com compaixão e a agir em favor daqueles que mais precisam. A verdadeira caridade vai além da simples doação de bens materiais. Ela envolve o cuidado com o próximo, o acolhimento do necessitado, o alívio da dor e o compromisso com a justiça social. A caridade é um reflexo de nossa fé em ação, uma maneira de manifestar o amor que recebemos de Deus para aqueles ao nosso redor. Praticar a caridade é estar atento às necessidades do mundo e fazer o que está ao nosso alcance para melhorar a vida do outro.
Pode se manifestar em um sorriso, em um gesto de ajuda, em uma doação, mas também em ações mais amplas de luta por justiça e igualdade. A caridade, então, não se resume a dar, mas a viver de maneira a construir um mundo mais fraterno, onde todos têm acesso às condições mínimas de dignidade e amor.
Isso é bíblico e devemos viver como Cristo nos ensinou, em (Mt 6,1-6.16-18)
“1 Tenham o cuidado de não praticar suas “obras de justiça” diante dos outros para serem vistos por eles. Se fizerem isso, vocês não terão nenhuma recompensa do Pai celestial.
2 Portanto, quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem honrados pelos outros. Eu garanto que eles já receberam sua plena recompensa.
3 Mas, quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita, 4 de forma que você preste a sua ajuda em segredo. E seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará.
5 E, quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu asseguro que eles já receberam sua plena recompensa.
6 Mas, quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto. Então seu Pai, que vê em secreto, o recompensará.
16 Quando jejuarem, não mostrem uma aparência triste como os hipócritas, pois eles mudam a aparência do rosto a fim de que os outros vejam que eles estão jejuando. Eu digo verdadeiramente que eles já receberam sua plena recompensa.
17 Ao jejuar, arrume o cabelo e lave o rosto. 18 para que não pareça aos outros que você está jejuando, mas apenas a seu Pai, que vê em secreto. E seu Pai, que vê em secreto, o recompensará. ”
Que possamos bem viver essa Santa Quaresma e que ela seja fonte de conversão para todos.
TV Divino, Pastoral da Comunicação da Catedral São José


