Coxim MS
Moacir Kohl: Coxim antes e depois dele, um homem que deixou seu nome em cada canto da cidade
Há histórias que podem ser contadas por datas, cargos e números. E há histórias que precisam ser contadas também pelo sentimento.
A trajetória de Moacir Kohl pertence às duas formas de contar o tempo.
Existe o Moacir dos mandatos, das decisões administrativas, das viagens em busca de investimentos, das conversas com governadores, deputados e presidentes, do homem que ocupou a Prefeitura de Coxim por dois mandatos e chegou à Vice-Governadoria de Mato Grosso do Sul.
Mas existe, antes de tudo, o menino que cresceu em uma família muito humilde no Rio Grande do Sul, em uma casa sem energia elétrica, sem água encanada, iluminada por lampião e velas. O menino que aprendeu cedo que ninguém constrói uma história esperando que as coisas simplesmente aconteçam.
Entre esses dois extremos a simplicidade da infância e a dimensão de uma vida pública inteira está a história de um homem que fez do trabalho uma espécie de herança familiar. E que, ao longo dos anos, escolheu Coxim para ser muito mais do que uma cidade onde viveria.
Escolheu Coxim para ser sua casa.
1954 — O começo de tudo
15 de abril de 1954.
Na cidade de Carazinho, no Rio Grande do Sul, nascia Moacir Kohl, filho de Olivo Kohl e Ilda Maria Damiani Kohl, ambos já falecidos.
Moacir cresceu ao lado dos irmãos Gilmar, Evaristo e Edson, em uma família de quatro filhos homens.
A infância não foi cercada de luxo. Pelo contrário.
Não havia energia elétrica. A água era retirada do poço. Quando a noite chegava, eram o lampião e as velas que iluminavam a casa.
Mas havia algo que, para Moacir, valia mais do que qualquer conforto material: havia família.
Havia amor, cuidado, disciplina e exemplo. Seus pais trabalhavam muito para que os filhos tivessem aquilo que realmente importava. E talvez tenha sido ali, ainda menino, que Moacir tenha aprendido algumas das palavras que mais tarde conduziriam sua vida: trabalho, honestidade, responsabilidade e perseverança.
1965 — Aos 11 anos, a primeira grande partida
A vida no interior ensinava cedo que, muitas vezes, para crescer era preciso partir.
Aos 11 anos, Moacir deixou Carazinho.
Seguiu para Santa Maria, também no Rio Grande do Sul, onde estudaria em um colégio interno.
Era ainda um menino quando precisou aprender a viver longe dos pais e dos irmãos.
A saudade fazia parte da rotina. A distância também.
Mas aquela saída de casa seria uma das primeiras grandes provas de independência de sua vida.
Em Santa Maria, permaneceu durante os anos de formação escolar, concluindo o segundo grau. O menino que havia aprendido a viver com pouco começava a descobrir que conhecimento também era uma forma de construir liberdade.
1974 — O sonho da Agronomia
Em 1974, Moacir prestou vestibular em Porto Alegre.
Foi aprovado para Agronomia, curso que escolheria não apenas como profissão, mas como uma área que mais tarde estaria profundamente ligada à sua vida empresarial e rural.
A escolha não aconteceu por acaso.
Seus pais, que haviam passado por diferentes cidades e atividades comerciais, também carregavam dentro de casa o exemplo do trabalho e do empreendedorismo.
Olivo Kohl havia sido comerciante, proprietário de um bar e participou da fundação da primeira rodoviária de Colorado.
Moacir cresceu observando os pais trabalharem juntos.
Marido e mulher. Parceiros. Uma família que precisava construir o próprio caminho.
1975 — O encontro que mudaria sua vida
Foi também na década de 1970 que aconteceu um dos encontros mais importantes de sua história.
Moacir conheceu Roseli, professora formada em Educação Física, mas que sempre carregou uma forte vocação para a área social.
O encontro aconteceu por meio dos irmãos de Roseli, que jogavam futebol com Moacir.
Vieram o namoro, os sonhos e cinco anos de caminhada até o casamento.
O que começou como um encontro de jovens se transformaria em uma das relações mais importantes de sua vida.
1978 — A chegada a Mato Grosso do Sul
Enquanto Moacir construía sua formação, sua família também percorria novos caminhos.
Depois de passar por Colorado e Guarapuava, no Paraná, a família chegou a Sonora, em Mato Grosso do Sul, em 1978.
Era o começo de uma nova etapa.
O Estado ainda tinha grandes áreas a serem ocupadas, estradas a serem abertas, atividades econômicas em expansão e oportunidades que atraíam famílias dispostas a trabalhar.
Os Kohl entraram na atividade rural, trabalhando com pecuária de corte, arroz e soja, em uma área de mais de 300 hectares. A sede da fazenda ainda existe.
Para Moacir, Mato Grosso do Sul deixaria de ser apenas um lugar de passagem.
Seria o território onde sua história adulta ganharia raízes.
1980 — O casamento e a chegada a Coxim
Depois de cinco anos de namoro, Moacir e Roseli se casaram em 8 de março de 1980.
Poucos dias depois, em 24 de março, o casal mudou-se para Coxim.
A cidade que os recebeu naquele momento ainda era muito diferente daquela que Moacir conheceria décadas depois.
Mas foi ali que o casal decidiu construir sua vida.
Roseli e Moacir atravessariam juntos os anos de prosperidade, dificuldades, política, negócios, derrotas, conquistas e transformações.
Quase meio século depois, a história dos dois continua sendo contada como uma história de parceria.
Dois caminhos que escolheram caminhar juntos.
1980 — O primeiro trabalho em Coxim
Em Coxim, Moacir começou profissionalmente como responsável técnico da Coplan.
Mas a inquietação de quem sempre quis construir algo próprio não permitiu que permanecesse apenas naquela posição.
Trabalhou, economizou, investiu e, gradualmente, tornou-se sócio da empresa, chegando a adquirir 50% do negócio.
Permaneceu na Coplan até 1985.
Era o começo da trajetória empresarial que posteriormente o levaria também para o comércio e para o agronegócio.
Nada chegou pronto.
Cada passo exigiu trabalho.
A família como ponto de equilíbrio
Enquanto crescia profissionalmente, Moacir também construía seu maior patrimônio: a família.
Ao lado de Roseli, tornou-se pai de três filhos:
Moacir Kohl Filho, Marilda Cervi Kohl de Lima e Mariane Cervi Kohl de Carvalho.
Vieram depois os netos, que passaram a ocupar um lugar especial em sua vida:
Ana Beatriz Kraemer de Mello Kohl, Maria Tereza Kohl de Carvalho, Catarina Kraemer de Mello Kohl, José Francisco Kohl de Lima e Cecília Kohl de Carvalho.
Para Moacir, os netos representam mais do que continuidade familiar.
Representam a passagem de uma história.
O menino que cresceu sem energia elétrica olha hoje para uma nova geração de sua família sabendo que muita coisa mudou, mas que alguns valores precisam permanecer exatamente iguais: trabalho, estudo, honestidade e respeito pelas pessoas.
1980 — O primeiro passo na política
A política entrou na vida de Moacir como mais um desafio.
Naquele período, a Câmara Municipal de Coxim tinha nove vereadores.
Moacir disputou uma vaga e foi eleito pelo então MDB, legenda que posteriormente daria lugar ao PMDB.
A experiência legislativa colocou diante dele uma nova responsabilidade: não apenas construir sua própria história, mas participar das decisões que definiriam os rumos de Coxim.
Entre os trabalhos daquele período esteve sua participação como relator na construção da Lei Orgânica do Município, ao lado de outros vereadores.
Era o começo de uma trajetória política que, anos depois, o levaria muito além das paredes da Câmara.
1992 — A primeira eleição para prefeito
Depois de sua passagem pelo Legislativo, Moacir tomou uma decisão que mudaria definitivamente sua relação com Coxim.
Renunciou ao mandato de vereador para disputar a Prefeitura.
A eleição de 1992 colocou Moacir diante de uma disputa decisiva.
Ele venceu e assumiu a Prefeitura em 1993, iniciando seu primeiro mandato, que se estendeu até 1996. O período é confirmado pelos registros históricos da Prefeitura de Coxim.
Começava uma das fases mais marcantes de sua vida pública.
1993–1996 — Coxim entra em um novo ciclo
Moacir chegou à Prefeitura de Coxim com a visão de que administrar uma cidade não significava apenas cuidar do presente...
Era preciso preparar o futuro.
Entre as iniciativas que marcaram sua administração esteve a criação de um programa municipal de crédito educativo para estudantes de nível superior, permitindo que jovens de Coxim pudessem estudar em instituições de ensino de outras cidades, imaginem o que isso não significou para essas famílias que viram através dele a oportunidade dos filhos mudarem suas próprias histórias.
A educação passou a ocupar espaço central em sua visão de desenvolvimento.
E, para Moacir, investir em um jovem significava investir na cidade que aquele jovem poderia ajudar a construir amanhã.
Infraestrutura, saúde e urbanização
Seu primeiro mandato também ficou marcado por uma série de intervenções em infraestrutura e serviços públicos.
A cidade recebeu obras de pavimentação, drenagem, equipamentos públicos e melhorias urbanas.
O aeroporto foi proposto por ele para ANAC o deslocamento para uma área considerada mais adequada para sua operação, e assim foi feito.
Também estão entre as realizações atribuídas à sua administração intervenções em bairros, construção e implantação de unidades de atendimento à população, creches e melhorias em espaços esportivos, 5 postos de saúde de Coxim foram deixados pela administração dele, 3 creches, escolas como Marechal Rondon e outras, a iluminação na BR entre o Restaurante Taquari e Silviolândia também foi coisa dele, todas as praças públicas de Coxim também nasceram e foram levantadas e entregues na sua gestão.
A saúde também ocupou lugar importante
A história do Hospital Regional de Coxim aparece ligada, na memória de sua administração, às articulações feitas naquele período para viabilizar a estrutura hospitalar.
Moacir chegou a buscar profissionais especializados para discutir o projeto, entre eles o arquiteto Oscar Costa, apontado como especialista na construção de hospitais.
Educação como projeto de cidade
Talvez uma das características mais marcantes da trajetória de Moacir seja sua insistência em tratar educação como instrumento de transformação.
Ao longo dos anos, sua atuação política esteve relacionada a articulações para ampliar a presença de instituições de ensino em Coxim.
A história da chegada de estruturas como: FICO, UEMS, UFMS e IFMS está entre as bandeiras que ele associa à sua atuação política e às articulações realizadas junto aos governos estadual e federal.
No caso do IFMS, sua trajetória registra reuniões e articulações políticas para defender a instalação do campus em Coxim. Ele foi incansável.
Independentemente de uma obra ter um único autor ou resultar da participação de diferentes governos e instituições, existe algo que atravessa a história política de Moacir: a ideia de que uma cidade só se desenvolve de verdade quando seus jovens podem estudar, permanecer e construir seu futuro nela.
O social como parte da administração
A infância humilde também ajudou a formar sua maneira de enxergar a desigualdade.
Entre as ações lembradas de suas administrações está a instalação da chamada Vaca Mecânica, destinada à produção e distribuição de leite para famílias em situação de vulnerabilidade.
Também aparecem em sua trajetória projetos habitacionais, regularização fundiária e iniciativas voltadas à população de bairros e comunidades.
No Vila Bela, segundo o histórico relatado sobre sua administração, foram entregues cerca de 1.600 títulos de propriedade.
No Bairro Pequi, já em seu segundo mandato, foram inicialmente implantadas 151 casas, com sorteio realizado em praça pública no aniversário de Coxim.
A moradia, nesse contexto, deixava de ser apenas uma construção.
Era documento.
Era endereço.
Era pertencimento.
Era a possibilidade de uma família dizer: “este lugar é nosso.”
A cidade que queria deixar de ser isolada
Moacir também dedicou atenção às comunidades rurais e distritos.
A eletrificação das propriedades rurais, dentro da expansão do programa Luz no Campo, levou energia a áreas que ainda conviviam com antigas dificuldades.
Em Jauru, a chegada da água encanada representou uma mudança na rotina dos moradores.
A instalação de telefones públicos em comunidades como Vila Bela, Piracema, Jauru e outras localidades ajudou a reduzir o isolamento de quem vivia distante do centro urbano.
Pontes, estradas, postos de saúde e equipamentos comunitários também fizeram parte desse processo.
Era uma Coxim que começava a encurtar distâncias.
Um articulador além das fronteiras de Coxim
Moacir descobriu que governar uma cidade também significava saber bater em portas.
E bater muitas vezes.
Governadores, deputados, ministros e até presidentes passaram a fazer parte do caminho percorrido por ele em busca de investimentos e estruturas para Coxim.
Foi nesse período que desenvolveu uma característica que se tornaria uma das marcas de sua vida pública: a capacidade de articulação política.
Moacir entendia que uma cidade pequena precisava falar mais alto para ser ouvida.
E passou a fazer isso.
1998 — Coxim chega ao Governo de Mato Grosso do Sul
A trajetória que começou em uma casa simples do Rio Grande do Sul chegaria a um dos momentos mais altos em 1998.
Moacir Kohl foi escolhido para compor a chapa de Zeca do PT como candidato a vice-governador.
A chapa venceu a eleição.
Em janeiro de 1999, Moacir assumiu como vice-governador de Mato Grosso do Sul, tornando-se uma figura de destaque da política estadual. Registros oficiais e históricos confirmam sua atuação como vice-governador entre 1999 e 2002.
A chegada ao Governo do Estado representava algo maior do que uma conquista pessoal.
Era também a chegada de um homem de Coxim ao centro das decisões estaduais.
1999–2002 — Vice-governador e secretário de Estado
No Governo de Mato Grosso do Sul, Moacir também assumiu funções na área de produção e desenvolvimento, atuando como secretário de Estado ligado ao setor produtivo.
Sua formação como agrônomo, sua experiência empresarial e sua vivência no campo passaram a dialogar com uma responsabilidade muito maior.
Agora, as decisões não diziam respeito apenas a Coxim.
Diziam respeito a Mato Grosso do Sul.
2003–2004 — Campo Grande e o desenvolvimento
Depois da experiência no Governo do Estado, Moacir também atuou na administração municipal de Campo Grande, na área de desenvolvimento econômico.
Registros biográficos públicos apontam sua atuação como secretário municipal de Desenvolvimento Econômico em 2003 e 2004.
Mais uma vez, sua experiência empresarial e sua visão sobre desenvolvimento encontraram espaço na administração pública.
Mas Coxim continuava chamando.
2004 — O retorno à Prefeitura
Em 2004, Moacir voltou a disputar a Prefeitura de Coxim.
E venceu novamente.
Foi eleito para seu segundo mandato, exercido entre 2005 e 2008.
Era a volta de um homem que já havia ocupado a principal cadeira do município, passado pelo Governo do Estado e conhecido a política em uma dimensão muito maior.
Mas que retornava para sua cidade.
2005–2008 — O segundo capítulo
No segundo mandato, novas obras e projetos passaram a fazer parte da paisagem de Coxim.
O Bairro Pequi ganhou forma.
O Mangabeira avançou.
Escolas foram reativadas.
Espaços esportivos receberam investimentos.
A infraestrutura dos bairros continuou sendo ampliada.
Creches, postos de saúde, pavimentação, drenagem e equipamentos públicos fizeram parte daquele período.
Entre as ações lembradas está também a substituição de pontes de madeira por estruturas de concreto, reduzindo dificuldades históricas de deslocamento.
A administração também esteve relacionada à instalação ou chegada de instituições e serviços que ampliaram a presença do Estado e de entidades de formação profissional em Coxim, entre elas Senai, Sebrae, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros, conforme a memória administrativa associada ao período.
O Pequi, a Vila Bela e as marcas na paisagem
Algumas obras passam despercebidas com o tempo.
Uma rua asfaltada.
Uma praça.
Uma ponte.
Uma escola.
Um posto de saúde.
Uma casa.
Um título de propriedade.
Mas, para quem esperou anos por aquilo, uma obra nunca é apenas concreto.
É mudança de vida.
É por isso que a história administrativa de Moacir pode ser lida também na própria paisagem de Coxim.
Há lugares que carregam lembranças de decisões tomadas durante seus governos.
E há pessoas que carregam lembranças ainda mais profundas.
O homem por trás do político
Ao longo de todos esses anos, existe uma característica que parece permanecer intacta.
O homem que chegou a Coxim em 1980 continuou carregando consigo as referências da infância.
Moacir não nasceu em uma família rica.
Não recebeu uma empresa pronta.
Não encontrou um caminho pavimentado.
Estudou.
Trabalhou.
Economizou.
Investiu.
Errou.
Recomeçou.
Construiu.
Foi empresário.
Foi produtor rural.
Foi vereador.
Foi prefeito.
Foi vice-governador.
Foi secretário.
E voltou a ser prefeito.
A própria trajetória pública confirma essa sucessão de etapas: dois mandatos à frente de Coxim, entre 1993–1996 e 2005–2008, além da vice-governadoria estadual.
Mas talvez o maior significado esteja justamente na distância entre o ponto de partida e o lugar onde chegou.
Roseli: a companheira de toda uma vida
Ao lado de Moacir, durante toda essa caminhada, esteve Roseli.
São décadas compartilhando decisões, mudanças, vitórias, dificuldades e recomeços.
Quando Moacir saiu do Sul, Roseli estava ao seu lado.
Quando chegaram a Coxim, ela estava ao seu lado.
Quando vieram os negócios, a política, os mandatos, as viagens e as responsabilidades, ela permaneceu.
O casal construiu uma família e atravessou quase meio século de história juntos.
E talvez seja impossível contar a trajetória de Moacir sem contar também um pouco da história de Roseli.
Porque algumas vidas não caminham em paralelo.
Caminham juntas.
Os filhos e os netos — o legado que não cabe em uma obra
Moacir pode falar sobre estradas, escolas, hospitais, bairros e instituições.
Pode falar sobre política.
Pode falar sobre agricultura e empresas.
Mas quando o assunto são os netos, a linguagem muda.
Ali está seu lado mais íntimo.
Ali está o avô.
A família se tornou a continuidade de tudo aquilo que seus pais ensinaram a ele quando ainda era menino em Carazinho.
O trabalho como valor.
O estudo como caminho.
A honestidade como princípio.
E a certeza de que dinheiro, cargo ou patrimônio algum substitui aquilo que permanece dentro de uma família.
Coxim como escolha de vida
Moacir poderia ter seguido outros caminhos.
Conheceu o Rio Grande do Sul.
Passou pelo Paraná.
Conheceu diferentes cidades e chegou ao Governo do Estado.
Mas foi Coxim que permaneceu.
Foi aqui que construiu seus negócios.
Foi aqui que criou seus filhos.
Foi aqui que viveu grande parte de sua vida pública.
Foi aqui que voltou depois de ocupar posições de destaque no Estado.
E é aqui que continua vivendo.
Por isso, talvez seja difícil separar a história de Moacir Kohl da própria história contemporânea de Coxim.
São trajetórias que se cruzaram tantas vezes que uma passou a fazer parte da outra.
Uma vida ainda em movimento
Moacir Kohl está vivo.
E isso muda a forma de contar sua história.
Esta não é uma biografia de despedida.
É uma história em andamento.
Um homem que já atravessou mais de sete décadas continua acompanhando a cidade que escolheu como lar.
Continua vendo novas gerações crescerem.
Continua vendo ruas, bairros e espaços públicos mudarem.
Continua vendo os filhos criarem suas próprias famílias e os netos escreverem os próximos capítulos.
E talvez exista algo particularmente bonito nisso.
Moacir pode olhar para trás e reconhecer o menino de Carazinho no homem que se tornou.
O menino que estudou longe dos pais.
O jovem que escolheu Agronomia.
O homem que chegou a Coxim com sonhos e disposição para trabalhar.
O empresário que construiu seu próprio caminho.
O vereador que entrou na política.
O prefeito que administrou a cidade duas vezes.
O vice-governador que levou o nome de Coxim para o cenário estadual.
E o avô que hoje encontra nos netos uma nova razão para olhar para o futuro.
O legado de um homem que decidiu ficar
Existem pessoas que passam por uma cidade.
E existem pessoas que deixam parte de sua história nela.
Moacir Kohl pertence à segunda categoria.
Sua trajetória pública está registrada em documentos, eleições, mandatos e administrações. Mas sua história pessoal está espalhada de outra maneira: nas lembranças de quem conviveu com ele, nas famílias que receberam uma oportunidade, nos espaços públicos que ajudou a construir, nos estudantes que encontraram caminhos para continuar estudando e nas gerações que cresceram enquanto Coxim também crescia.
Não é possível resumir uma vida inteira em uma lista de obras.
Nem em uma lista de cargos.
Porque, no fim, a história de Moacir Kohl talvez seja menos sobre os lugares que ocupou e mais sobre o caminho que percorreu para chegar até eles.
Ele saiu de uma infância em que a noite era iluminada por lampião.
Chegou a lugares onde precisava conversar com governadores, presidentes e autoridades para defender os interesses de uma cidade.
Mas nunca deixou de carregar consigo a lembrança de onde veio.
Talvez seja essa a parte mais bonita de sua história.
O homem que chegou a Coxim para trabalhar acabou fazendo de Coxim parte de sua própria identidade.
E quando um homem consegue olhar para uma cidade e dizer que ali estão seus filhos, seus netos, seus amigos, seus sonhos, suas lutas e grande parte de sua vida, a relação já deixou de ser apenas política.
Tornou-se pertencimento.
Moacir Kohl não apenas passou por Coxim.
Coxim passou a fazer parte de Moacir.
E sua história, enquanto ele continua caminhando, trabalhando, convivendo com a família e olhando para o futuro, permanece aberta como as histórias que ainda têm muito a dizer
Moacir carrega com ele uma frase e é com ela que essa história termina: "A política é muito boa e muito bonita sendo bem feita, ela pode transformar não só uma cidade, mas toda uma sociedade”.
(Moacir Kohl)
Por: Glenda Melo/Diário do Estado MS








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