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11 de dezembro de 2019
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Campo Grande MS

Tatiana Trad faz caminho "inverso" e usa a experiência de casa no poder público

24 OUT 2019Por Redação22h:00

Durante mais de uma década, sua participação na vida pública era “zero”, como ela mesma define, mas hoje, ainda que sem filiação partidária, tem papel importante, comandando o FAC (Fundo de Apoio à Comunidade), no atendimento as comunidades carentes, e cuidando de projetos como a Cidade do Natal e a comissão municipal responsável por ações de desenvolvimento sustentável.

O caminho, relembra Tatiana, foi “natural”, e começou na campanha para prefeito, quando sua presença passou a ser mais solicitada nas agendas. “Minha figura foi mais requisitada e eu automaticamente me coloquei à disposição. Eu acho que, pelo fato da vice ser uma mulher [Adriane Lopes (PMN)], a gente fez uma ligação muito boa, acabou que foi acontecendo”, resume.

Somou-se a esse trajeto pessoal, a vontade nata de praticar solidariedade. “Eu gosto de ajudar e apareceu a oportunidade maior, que consigo ajudar bastante, hoje é uma proporção grande e é bom. A gente ouve que quando ajuda é melhor do que quem é ajudado e é mesmo".

Indagada sobre o sentimento mais comum ao fazer esse trabalho, ela responde que é a satisfação pelos agradecimentos, mesmo que o auxílio pareça pequeno, como a entrega de um colchão a quem precisa.

“Você vê que pode fazer diferença com tão pouco”

O tempo exclusivo de gerenciamento de uma casa com duas meninas e um marido bastante atarefado, como vereador, deputado e agora prefeito, em vez de ser “perdido” - como ainda creem os que não reconhecem o trabalho domiciliar das mulheres, foi aproveitado, afirma Tatiana. Ela levou para suas atividades a experiência de lidar com as filhas, com a rotina, com o marido.

“Foi uma opção minha, pessoal. Não me arrependo, não acho que perdi tempo, de forma alguma”, comenta. Para exemplificar o quanto a “mãe” Tatiana colabora com a presidente do FAC Tatiana Trad, ela cita com carinho, o projeto de balé mantido no Parque Jacques da Luz, inspirado na convivência da filha mais nova, Alice, com a dança.

“Na época, a Alice fazia balé e eu fui lá e a sala estava abandonada. Falei pro Rodrigo: Vamos? E ele topou na hora”, diz, citando o presidente da Funesp (Fundação Municipal de Esportes). Com apoio privado, o projeto foi montado e está em andamento, comemora.

Autocuidado

Hoje, com as filhas um pouco maiores, uma pré-adolescente e a outra já estudando para entrar em Medicina, Tatiana consegue dedicar mais tempo às atividades na prefeitura, exercidas sem remuneração. "Ontem, por exemplo, eu saí 20h, tem dias que tenho uma rotina mais pesada. Faço tudo que preciso para depois conseguir dar uma segurada."

Mas nem por isso, a vida particular deixa de ser prioridade e o dia a dia de autocuidado, tão defendido pelos especialistas em bem-estar, é levado a sério. Tatiana frequenta academia todos os dias, faz terapia duas vezes por semana e não descuida da prática religiosa. Pelo menos uma vez por semana, frequenta a igreja Ministério Atos de Justiça, para a qual “levou” Marquinhos, anos atrás.

Na escala de importância, porém, as filhas estão no topo. Volta e meia, uma delas interrompe a agenda diária com alguma demanda e, segundo a mãe, assim a vida vai se resolvendo. “A minha prioridade são as meninas e eu não tenho vontade de mudar isso. Não tenho pretensão de nada politicamente. Meu papel é realmente estar ajudando ele, não só ele, mas acho que fazendo diferença, fazer bem dentro do que posso, dentro dos meus limites”, avalia.

“Marcos”

O prefeito, em casa não é chamado no diminutivo, como e é reconhecido popularmente. A esposa só o chama de Marcos. “Eu casei com o Marcos antes dele ser político, ele era advogado. Para mim é muito difícil chamar ele de Marquinhos, não consigo explicar o motivo, parece que não é ele, para mim”, confessa.

Ser casada com alguém da vida pública é uma transformação para qualquer pessoa e não deixou de ser assim com ela. Teve de passar a aceitar, por exemplo, a exposição. “É uma coisa que eu tive dificuldade. Agora já está mais natural, os discursos, mas era sofrido”, admite.

Já citada em rumores de uma candidatura, a advogada usa uma máxima, de “nunca pode se dizer nunca”. No entanto, avisa: “Se você disser “Tatiana, é o seu sonho?: De verdade, não. Meu papel é acompanhar o Marcos”.

Para ela, o prefeito tem todas as condições de ser governador. E quanto ao papel dela? Vislumbra como o de ser liderança das primeiras-damas dos municípios nas questões sociais, mas também faz planos independentes disso, voltados ao empreendedorismo. Tatiana tem formação em coach, além do Direito.

Fonte: Campo Grande News - Marta Ferreira

Tatiana deixou de trabalhar fora depois da primeira filha e hoje comanda Fundo de Apoio a Comunidade Foto: Paulo Francis
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