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20 de janeiro de 2020
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Brasil

Backer é proibida de vender produtos e deve recolher todas as cervejas da marca

14 JAN 2020Por Redação07h:40

O Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) afirmou na segunda-feira (13) que intimou a cervejaria Backer a realizar recall de todas as cervejas e chopes da empresa e também suspender a venda de qualquer produto da marca até que seja descartada a possibilidade de contaminação de demais produtos.

A medida abrange qualquer rótulo da cerveja, além dos chopes, fabricado entre outubro de 2019 e 13 de janeiro de 2020

Na noite de segunda-feira (13), a determinação já era cumprida em um supermercado de Belo Horizonte. A retirada de cervejas das prateleiras foi flagrada pela reportagem (foto da capa).

De acordo com o Mapa, foram apreendidos 139 mil litros de cervejas já engarrafadas e 8 mil litros de chope

Na última sexta-feira (10), técnicos do ministério estiveram no local e interditaram a fábrica da Backer, entretanto, o restaurante da cervejaria, na mesma área, no bairro Olhos D’água, Região Oeste de Belo Horizonte, funcionou normalmente durante o fim de semana.

“O Ministério da Agricultura já realizou a apreensão das cervejas disponíveis na cervejaria na sexta-feira (10), o recall acontece e é essencial para preservar a saúde dos consumidores e minimizar o risco desta situação”.

De acordo com o site da empresa, 21 rótulos são fabricados pela Backer, são eles:

Backer Pilsen, Cerveja Trigo, Cerveja Pale Ale, Cerveja Bronw, Medieval, Pele Vermelha, Bravo, Exterminador de Trigo, Três Lobos, Capitão Senra, Corleone, Tommy Gun, Diabolique, Pilsen Export, Backer Bohemian Pilsen, Julieta, Backer Reserva do Propietário, Fargo 46, Cabral, Belorizontina e Cacau Bomb.

Em nota, a Backer informa que:

"A medida de recall solicitada pelo Ministério da Agricultura está sendo objeto de apreciação judicial para revogação do ato". A cervejaria informou ainda que não faz uso do dietilenoglicol em seu processo produtivo e que "o episódio apurado pelas autoridades limita-se ao lote Belorizontina, não tendo qualquer relação com os demais rótulos da empresa, que possui processos autônomos de produção".

Mais um lote de Belorizontina contaminado

A Polícia Civil confirmou na manhã de segunda-feira (13) que mais um lote da cerveja Belorizontina, da Backer, está contaminado por dietilenoglicol e monoetilenoglicol. As duas são utilizadas como anticongelantes em serpentinas de indústrias cervejeiras, mas monoetilenoglicol é considerado menos tóxico.

O novo lote contaminado é o L2 1354, segundo o delegado Flávio Grossi. "É importante ressaltar a existência de mais este lote, que não era de conhecimento. E ao contrário do que imaginávamos, o lote não estava concentrado só no Buritis", afirmou.

Segundo a Polícia Civil, este é o terceiro lote analisado. Mas, segundo a fabricante, os dois primeiros itens, L1 e L2, pertencem um único lote, 1348.

Sabotagem

A Polícia Civil investiga se um ex-funcionário participou de suposta sabotagem na contaminação da cerveja.

No fim do ano passado, um supervisor da cervejaria chegou a registrar boletim de ocorrência de contra o ex-trabalhador, que o ameaçou.

“Não posso afirmar se foi sabotagem ou se foi erro”, disse Flávio Grossi, Delegado titular do inquérito na coletiva.

Notificações

Até agora, a Secretaria de Estado de Saúde confirmou dezessete notificações da chamada síndrome nefroneural. Quatro casos foram confirmados, um deles morreu em Juiz de Fora, onde estava internado, na semana passada. Além dos pacientes internados em Belo Horizonte, há um em São Lourenço e outro em Viçosa.

“Neste primeiro momento estamos buscando entender como se deu a intoxicação. É o primeiro passo. Para, posteriormente, nós buscarmos algum tipo de responsabilidade penal, caso exista. Neste contexto, há uma necessidade do trabalho pericial", disse Wagner Pinto.

Garrafas entregues na Prefeitura

A Prefeitura de Belo Horizonte afirmou que recolheu 183 garrafas de cerveja Belorizontina nos pontos de coleta nas sedes das regionais na segunda-feira (13). Destas, 22 são do lote 1348, linhas de produção L1 e L2, que a Polícia Civil já havia detectado contaminação por dietilenoglicol, segundo a Prefeitura.

A administração municipal afirmou que as garrafas recolhidas vão ficar sob custódia da Secretaria Municipal de Saúde e estão à disposição da Polícia Civil para dar prosseguimento às investigações.

Exames de sangue

De acordo com as investigações, exames de sangue de quatro vítimas deram positivo para a presença de dietilenoglicol, substância que pode ter provocado os sintomas de insuficiência renal e alterações neurológicas. As amostras de sangue, no entanto, não detectaram a presença de monoetilenoglicol.

Conforme o superintendente da Polícia Técnico Científica, Tales Bittencourt, a contaminação por dietilenoglicol pode ser letal com a dosagem entre 0,014mg por quilo a 0,17 mg por quilo.

“Isso significa que a dose letal para um homem de 70 quilos pode ser entre 1 grama a 12 gramas”, disse Bittencourt

Apesar de não ter sido constatada a presença de monoetilenoglicol no sangue dos pacientes internados, a substância foi encontrada nas garrafas recolhidas nas casas destas pessoas, do lote 1348, das linhas L1 e L2 e também em garrafas recolhidas dentro da Backer. O dietilenoglicol foi encontrado nas amostras de cerveja analisadas.

Ainda segundo a polícia, as amostras recolhidas na fábrica foram levadas para Brasília, para a realização de estudo de carbonatação, que avalia se houve violação da embalagem. O resultado, de acordo com a polícia, deu negativo.

O que diz a Backer

A Backer já havia emitido nota dizendo que não usa o dietilenoglicol na produção das cervejas, mas que utiliza o monoetilenoglicol, entretanto, segundo a Polícia Civil, em um dos tanques da fábrica, foram encontradas as duas substâncias.

Fonte: Humberto Trajano, G1 Minas

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