Assembleia Legislativa de MS
Mochi defende comissão permanente para fiscalizar concessões e se despede da ALEMS
O deputado Junior Mochi (MDB) abordou dois temas na tribuna da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), durante a sessão plenária desta quinta-feira (5). O parlamentar defendeu a criação de uma comissão permanente para acompanhar as Parcerias Público-Privadas (PPPs) no Estado e comentou o cenário político internacional, além de se despedir dos colegas após não conseguir a reeleição para o cargo de deputado estadual.
“Semana passada, propus aqui a criação de uma comissão permanente nesta Casa de Leis para acompanhar as Parcerias Público-Privadas [PPPs] em nosso Estado. Há dois anos, criamos uma comissão provisória para tratar especificamente da situação da concessão da BR-163. Depois, ela foi ampliada para abranger também as demais concessões rodoviárias. Agora, propomos a criação de uma comissão definitiva para acompanhar as parcerias público-privadas existentes no Estado e aquelas que vierem a ser firmadas”, explicou.
“Essa comissão é muito importante, uma vez que várias rodovias que passam pelo Estado são concessionadas. Esta Casa, enquanto Poder que fiscaliza e representa, de fato e de direito, a sociedade sul-mato-grossense, deve acompanhar as concessões, o cumprimento dos contratos e as obrigações assumidas pelas empresas. Para que isso seja feito e tenhamos condições de responder de forma efetiva e eficaz, esta Casa precisa criar um grupo técnico para subsidiar a comissão, verificar os problemas in loco e emitir pareceres”, justificou o parlamentar.
O deputado Caravina (PSDB) elogiou a iniciativa do colega. “Sempre me manifestei favoravelmente às concessões e às PPPs. Você cria a oportunidade de recursos privados serem aportados em serviços públicos, mas, para funcionar, deve haver regulação. A prestação do serviço precisa ser contínua e de boa qualidade. A comissão permanente será mais um órgão de controle, com atuação independente, acompanhando para que aquilo que está previsto em contrato chegue ao cidadão. Faço questão de fazer parte dessa comissão”, declarou.
Eleições 2026
Ao comentar o cenário político internacional, Junior Mochi comparou os processos eleitorais do Brasil e dos Estados Unidos. “Acompanhei a eleição presidencial americana e me questionei sobre o processo eleitoral dos Estados Unidos. Nossa apuração, por meio da urna eletrônica, apresenta resultados em duas horas e, mesmo assim, é tão questionada. Lá, as cédulas são enormes, colocadas em envelopes e abertas uma semana depois. Entendo que há espaço para aperfeiçoamento, mas, em comparação com a eleição americana, estamos muito à frente nesse processo eleitoral”, avaliou.
Mochi também analisou os resultados eleitorais nos Estados Unidos e apontou três fatores que, em sua avaliação, influenciaram o desempenho do Partido Republicano: a política de imigração adotada pelo governo Trump, a guerra no Irã e as medidas tarifárias impostas pelo país.
“Três fatores se destacaram nas eleições de lá. O Partido Republicano foi rejeitado devido à política de imigração instituída no governo Trump, à guerra no Irã, que serviu de base para abalar a economia americana, e ao tarifaço, inicialmente instituído para beneficiar os americanos, mas que acabou prejudicando muitos estados litorâneos e aqueles que fazem divisa com o Canadá, tradicionalmente republicanos. As medidas inviabilizaram a atividade econômica de muitas empresas, o que trouxe um revés eleitoral”, afirmou.
Traçando um paralelo com o cenário político brasileiro, o parlamentar destacou a importância da democracia e da capacidade de diálogo entre os Poderes.
“O que nos deixa satisfeitos é que a democracia se impôs e o resultado está aí. Ou o presidente se senta e tem a capacidade de dialogar com todo o Congresso, onde não tem maioria, ou continuará na arrogância, fazendo com que o país tenha perdas significativas. Aqui não é diferente. O presidente Lula [PT] venceu, mas não tem maioria no Congresso. Portanto, também precisará de muito diálogo para construir o país que sonhamos, queremos e que, acima de tudo, merecemos”, destacou.
Despedida
Junior Mochi também aproveitou o pronunciamento para se despedir dos colegas parlamentares na tribuna. Após as eleições de 2026, o deputado não conseguiu se reeleger para a Assembleia Legislativa.
“Agradeço aos apartes, às palavras elogiosas, às parcerias, à amizade e ao tempo de convivência aqui no Parlamento e fora dele. Tenho a satisfação e a alegria de contar com inúmeros amigos que, ao longo do tempo, fomos não só conquistando, mas também preservando pela proximidade. Continuo à disposição para construirmos aquilo que é bom para o Estado e que faz com que a política tenha sentido: promover o bem comum e melhorar a qualidade e as condições de vida da nossa população, por meio da atuação de todos aqueles que se colocam à disposição para servir à sociedade”, afirmou.
O deputado Zeca do PT (PT) destacou o compromisso de Mochi com a democracia e a justiça social.
“Clareza e compromisso com a democracia e com a justiça social demonstram tudo aquilo que conhecemos de Vossa Excelência. Fará falta. Seria uma honra muito grande recebê-lo de braços abertos, se não no PT, em um partido do campo democrático popular, para construirmos um projeto para 2030, passando por 2028. Parabéns pelo pronunciamento”, declarou.
O deputado Paulo Duarte (PSDB) também manifestou reconhecimento à trajetória do colega e destacou suas qualidades pessoais e políticas.
“Muitos parlamentares se elegeram sem nenhuma proposta, mas quero dizer a Vossa Excelência que o senhor é um homem preparado, qualificado, decente e de palavra. É difícil, diante do processo eleitoral de hoje, entender por que alguns são eleitos e outros não. Tenho a honra de caminhar ao seu lado. Aprendo com o senhor, sou seu amigo, seu irmão e seu fã”, afirmou.
O deputado Pedro Kemp (PT) lamentou a saída de Mochi da Assembleia Legislativa e ressaltou a contribuição do parlamentar para os debates na Casa.
“Lamento profundamente sua ausência. O senhor qualifica o debate nesta tribuna. Tenho carinho, amizade e respeito por todos esses anos em que convivemos, pois sempre exerceu seu mandato com muita responsabilidade. Parabéns pela postura que sempre demonstrou”, avaliou o segundo-secretário da ALEMS.
O deputado Renato Câmara (Republicanos), vice-presidente da Assembleia Legislativa, também elogiou a atuação de Mochi e destacou seu legado na instituição.
“O senhor deixa um legado nesta Casa. Foi muito inovador como presidente, com uma atuação efetiva e eficaz, controlando gastos, promovendo alterações e incentivando a participação da comunidade. Acredito que tudo isso tenha valido muito a pena. Seu trabalho vai continuar, vamos sentir sua falta. Todos o respeitam pelo trabalho realizado”, concluiu.


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Corrida dos poderes
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