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Artigo

B de bursa e R de racismo. A imunologia e o preconceito

13 JAN 2021Por Redação/ Talyta Rodrigues13h:25

Era 1952. Um jovem cientista de Ohio, nos EUA, de nome Jacques Muller, observava seu professor dissecar e autopsiar um ganso. Removia a bursa, aquela estranha parte do corpo das aves. O cientista perguntou ao professor: "O que é isso? Para que serve?". "Boa pergunta. Descubra você", respondeu o professor. Dois anos depois, um colega descobriu que as galinhas cujas bursas tinham sido removidas não conseguiam gerar respostas à vacina alguma. Produziam um volume muito baixo de anticorpos. A impressão era que os anticorpos eram fabricados na bursa. Mas humanos não possuem bursa.

A história dolorosa do dr.Cooper.

Outro médico, denominado Dr. Cooper, cresceu na área rural do Mississipi, entre a década de 1940 e 1950. Foi zelador de escola, entregador de jornais, atendente de farmácia, mas conseguiu formar-se na faculdade de medicina. No último ano, atendeu um paciente com problemas digestivos. Era um sujeito notável, o estudante descreveu. E ele estava no lado de "cor" do Charity Hospital em Nova Orleans. Naquele tempo até o hospital era segregado. O Dr. Cooper examinou o paciente e fez uma apresentação ao médico supervisor. "A principal queixa do Sr. Brown é que...", começou o Dr.Cooper, logo interrompido pelo supervisor. "Quem lhe disse para chamar esse crioulo de Sr.Brown? Nós não fazemos isso aqui". O Dr. Cooper passou o resto da vida se lamentando por não ter dado uma resposta à altura para o racista. Mas esse ato odioso fez com que ele passasse a pensar que havia diferença nas defesas das pessoas.

Brancos e mulheres vivem mais.

Em 1960, descobriu o dr. Cooper, os brancos viviam em média cerca de 70 anos. Os não brancos, viviam em média 63 anos. Havia muitos fatores que contribuíam para isso, incluindo a cultura, o,racismo, o meio ambiente e as defesas do corpo humano. Também digno de nota, observou o cientista, as mulheres viviam mais, a média era de 75 anos.

A bursa e o timo.

Nessa mesma época, o Dr. Jacques Müller, aquele de Ohio, no início desta história, publicava seu seminal trabalho sobre o papel do timo na imunologia. Sem dúvida alguma, era no timo que ocorria a produção de anticorpos. Mas ele havia se deparado com um caso de imunodeficiência grave. O paciente tinha glóbulos brancos - linfócitos - os grandes defensores de nosso corpo, mas tinha bem poucos anticorpos. O timo parecia estar funcionando, mas, de forma geral, o sistema imunológico como um todo não funcionava.

Dr. Cooper e os pesquisadores de Denver.

Estudando o caso, o Dr. Cooper descobriu que nas aves, além da bursa, o timo produzia os glóbulos brancos. Foi um salto enorme para entender o sistema imunológico. Mas humanos não são galinhas. Não temos bursa. Então, além do timo, de onde vem os nossos anticorpos, perguntou o Dr. Cooper.

A resposta foi dada em Denver.

O Dr. Cooper fez a pergunta certa, mas não soube respondê-la. A resposta estava em Denver, onde cientistas desenvolviam experimentos com camundongos. Eles descobriram que, mesmo quando os roedores perdiam o timo, ainda eram capazes de montar alguma defesa. E ela parecia se originar na medula óssea. Elaboraram a teoria de que as células do timo e as da medula óssea estavam trabalhando em conjunto. Jacques Müller estava de volta às pesquisas. Ele ajudou o Dr. Cooper e os cientistas de Denver a reunir as peças que faltavam. Foi desse trabalho que saiu a descoberta das células de defesa T e as células B. As células T se originavam na medula óssea e depois iam para o timo. As B também se originam na medula óssea, mas precisam de uma espécie de instrução, alguma informação adicional para agir. Essa informação vinha das células T. Ou das vacinas.

Por: Mário Sérgio Lorenzetto – Campo Grande News

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