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13 de dezembro de 2018
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Agronegócio

UE ameaça suspender todas as compras de frango da BRF

15 ABR 2018Por Redação/TR22h:00

A UE (União Europeia) ameaça ampliar o boicote à BRF, maior exportadora de carne de frango do país, para todas as unidades produtoras da empresa, que hoje tem três fábricas proibidas de vender o produto ao bloco.

"O ministro Blairo Maggi (Agricultura) apresentou todos os argumentos, mas eles ameaçam desabilitar todas as plantas da BRF", afirmou o representante do Senado na comitiva que foi a Bruxelas, sede política da UE, discutir o caso nesta semana, Cidinho Santos (PR-MT).

A proibição é decorrência da Trapaça, fase da operação da Polícia Federal Carne Fraca que identificou em março deste ano fraudes em laudos sobre contaminação por salmonela em unidades exportadoras da BRF.

Três delas foram vetadas de vender preventivamente pelo Ministério da Agricultura: Mineiros (GO), Rio Verde (GO) e Curitiba (PR).

Blairo, Santos e técnicos se reuniram de terça (10) a quinta (12) com representantes da divisão sanitária da Comissão Europeia, órgão executivo da UE. "Saímos pessimistas do encontro", relatou o senador, suplente do ministro.

Blairo não respondeu a mensagem da reportagem na sexta (13). Em rede social, havia publicado postagem dizendo ter registrado "poucos avanços" na negociação, e relatando ter esperança de "minimizar o impacto" da decisão que a Comissão Europeia tomará no próximo dia 18 sobre a importação.

O Brasil é o maior produtor mundial de frango, e a BRF, sua principal exportadora. Os países da UE são destino de cerca de 15% das vendas, segundo dados do setor. A empresa, que nega irregularidades, não comentou o caso.

A Operação Carne Fraca também investiga suspeitas de problemas em outras empresas, como a JBS, mas a fase atual é centrada na BRF.

Segundo Santos, membros da UE estão aproveitando a crise deflagrada pela operação. "Há muita pressão, querem fechar acesso a tudo", disse, ressoando críticas ao protecionismo europeu.

A Folha buscou, sem sucesso, contato com a Comissão Europeia. A comitiva brasileira teme que a exportação de suínos da BRF também acabe afetada.

Se for tomada uma decisão contra o Brasil, as opções são ir à OMC (Organização Mundial do Comércio) visando criar uma arbitragem ou retaliar contra produtos europeus.

TEMPESTADE

A crise na área exportadora integra a tempestade que atinge a maior processadora de alimentos do Brasil.

A BRF enfrenta uma disputa encarniçada por seu controle, após registrar um prejuízo recorde de US$ 1,1 bilhão no ano passado --parte pelos efeitos da Carne Fraca, parte por problemas de gestão que fizeram alguns de seus principais acionistas requisitarem a destituição do conselho liderado pelo empresário Abilio Diniz.

Duas chapas, uma delas montada pelo empresário, deveriam se enfrentar no próximo dia 26 em assembleia.

Com apoio dos fundos de pensão Petros e Previ, a gestora britânica Aberdeen tomou a frente e requisitou o chamado voto múltiplo, obrigando que cada um dos dez novos conselheiros seja escolhido individualmente.

Com isso, a disputa será direta entre as facções beligerantes, reforçando a impressão de mercado de que a crise interna na empresa está bem longe de se resolver.

Cada conselheiro tem de ser eleito, na prática, por quem possuir 5% de controle da empresa.

Assim, os fundos de pensão, com 22% das ações, asseguram quatro representantes de saída. Aberdeen (5%), mais um. Abilio, com menos de 4%, poderá fazer dois ou três nomes a depender do alinhamento que conseguir.

A ação da BRF fechou a sexta em queda de 4,58%, a R$ 21,67. Há menos de três anos, ela valia R$ 70. "É claro que há um problema de gestão que os europeus percebem", afirmou o senador.

Brasil espera diminuir impacto de proibição do frango na UE, diz Maggi

O Ministro da Agricultura do Brasil, Blairo Maggi, encerrou três dias de conversas com a União Europeia nesta quinta-feira sem nenhuma garantia de que as importações brasileiras de frango seriam permitidas sem restrições.

A Comissão Europeia votará se deve ou não restringir as exportações de frango brasileiro daBRF SA e outras companhias em 18 de abril, disse Maggi de Bruxelas.

"Temos expectativa de minimizar os impactos negativos para as exportações de carnes de aves do Brasil para o bloco europeu", disse Maggi em postagem em sua página do Facebook, sem elaborar.

"(Depois da decisão), ela será avaliada e serão tomadas as providências que forem consideradas necessárias ao restabelecimento do fluxo comercial.", escreveu Maggi.

Em meados de março, o governo brasileiro interrompeu preventivamente a produção e certificação das exportações de carne de frango da BRF a União Europeia.

A BRF é alvo de uma investigação sobre segurança alimentar, na qual ela é acusada de fraude para escapar de verificações de segurança, e a proibição levou a empresa a dar férias remuneradas para centenas de funcionários para adequar a capacidade.

Embargo à carne de frango paralisa unidades da BRF (no ESTADÃO)

Para evitar que uma superoferta de frango no mercado nacional derrube ainda mais o preço do produto, as empresas do setor se preparam para dar férias coletivas em diversas de suas plantas, reorganizar a cadeia de produção e repassar centenas de ovos, que seriam fecundados, para o comércio e para a indústria.

Os ovos não vão virar omelete por acaso. Desde março, o setor tem de lidar com um autoembargo imposto pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) aos países da União Europeia contra plantas brasileiras, a maioria delas da BRF, após denúncias de presença de salmonela em produtos.

Grande parte da produção que iria para o exterior ficou no Brasil e o impedimento às exportações ocorreu em um momento em que o consumo interno ainda não se recuperou completamente da recessão. Também tem pesado o aumento do preço do milho, um dos principais insumos do setor.

Dona das marcas Sadia e Perdigão, a BRF dará férias coletivas de 30 dias aos funcionários da linha de abate de aves da planta de Rio Verde (GO) e a todos os que atuam na linha de produção de Carambeí (PR), a partir de maio. As unidades de Mineiros (GO) e de Capinzal (SC) também sofreram ajustes. A Aurora anunciou férias coletivas em uma unidade de Santa Catarina, em junho.

“É uma tempestade perfeita. Ainda que esteja em níveis aceitáveis, a produção foi afetada pelo retorno do produto não exportado. As férias coletivas são um indicativo da apreensão”, diz Ricardo Santin, vice-presidente da Associação Brasileira de Proteína animal (ABPA). As exportações caíram 8% em janeiro e 5% em fevereiro. O Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo.

+ Brasil pode ir à OMC contra União Europeia por barreira ao frango

Com mais frango no mercado nacional, o preço do produto resfriado vendido no atacado caiu 17% no Estado de São Paulo desde novembro, aponta o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Para o consumidor, o preço do quilo da ave na cesta básica também caiu: está 11% mais barato, segundo o Procon-SP, fechando fevereiro a R$ 5,20.

“Esperávamos uma recuperação. Em 2017, o poder aquisitivo do brasileiro estava menor, mas o mercado parecia que iria ficar menos incerto este ano”, diz Marcos Iguma, do Cepea.

Quem nasceu primeiro. A crise no setor preocupa principalmente os produtores integrados – que recebem os pintinhos com um dia de vida, a ração e a assistência técnica para fazer a engorda dos animais até o abate. Como são remunerados pela produtividade, eles dependem de uma demanda forte do mercado pela carne de frango.

“Se perguntar para o produtor, ele vai dizer que já há uma hiperoferta”, diz Euclides Costenaro, integrado da BRF em Rio Verde. “A cadeia de frango é como um transatlântico: quando um mercado deixa de comprar, levam-se meses para mudar a rota e reajustar. A superoferta pode durar até o meio do ano.”

Costenaro, que tem 40 aviários com capacidade para produzir 1 milhão de aves por lote, vai ter a produção reduzida em um terço. Ele lembra que os problemas da cadeia de frango também acabam desorganizando outros setores. “Se o frango ficou barato, o consumidor reduz a compra de carne bovina ou suína. É um efeito cascata.”

“Em Carambeí, antes os lotes chegavam com um intervalo de 15 dias. Agora são 20”, diz Carlos Bonfim, presidente da Associação dos Avicultores de Campos Gerais, no Paraná. “O abate vai diminuir, estão falando de 50 mil frangos a menos por dia.”

Ele diz que os ovos, que seriam fecundados, estão sendo encaixotados para o comércio e a indústria, indo para a fabricação de empanados ou ovos líquidos, para confeitaria.

A tendência, na avaliação de especialistas ouvidos pelo Estado, é que o preço do frango continue emqueda pelos próximos dois meses. O dos ovos também pode cair, embora o impacto da oferta maior do produto seja menos significativo.

Fonte: Notícias Agrícolas

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