Diário X

20 de abril de 2018
Aqui tem a Verdadeira Notícia

Polícia

Famílias pagavam até R$ 10 mil por transferências de presos, diz promotor

Operação Fura-Fila cumpriu três mandados de prisão preventiva. Além de dinheiro, diretor do Centro de Ressocialização trocava transferências de detentos por favores sexuais; ele foi preso.

15 ABR 2018Por Redação/TR11h:12

Famílias de presos chegaram a pagar até R$ 10 mil pelas transferências dos detentos para o Centro de Ressocialização de Araçatuba (SP), que é referência no Estado, segundo o promotor do Gaeco Marcelo Sorrentino.

As investigações do Ministério Público apontaram que o diretor do Centro de Ressocialização de Araçatuba, José Antônio Rodrigues Filho, recebia favores sexuais para transferir presos de outras unidades para o presídio da cidade, além do dinheiro.

“Quando a vaga era paga, o valor poderia chegar a até R$ 10 mil, dependendo do potencial financeiro do preso que seria potencializado com a transferência”, afirma.

A operação Fura-Fila, deflagrada pelo Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na quinta-feira (12), prendeu três pessoas, incluindo o diretor. Um agente penitenciário, suspeito de participar do esquema, já estava preso.

“A atuação detectada na investigação foi em dois focos: detectamos que servidores recebiam dinheiro para fazer inclusão indevida de presos no Centro de Ressocialização e também envolvimento de familiares e uma advogada de presos visando vantagens amorosas, indevidas, para a transferência dos presos”, diz o promotor.

O promotor afirma que as investigações sobre o esquema vão continuar agora com a apreensão de materiais como celulares e computadores.

“Outros presos também vieram para cá de forma ilegal em razão de relacionamentos amorosos de familiares desses presos e também de advogadas desses presos com o diretor da unidade prisional”, afirma Sorrentino.

Segundo o promotor, a transferência de presos para centro de ressocialização é diferente de outras unidades prisionais. Nos centros de ressocialização, o diretor tem autonomia para fazer a mudança. “O diretor da unidade faz triagem, entrevista com os presos, e ele decide a inclusão. Decidido, ele passa para a coordenação que faz a parte logística da transferência”, afirma o promotor.

Os advogados do diretor do Centro de Ressocialização enviaram nota dizendo que ele nega participação no esquema e vai colaborar com as investigações. A defesa da advogada Paula Regina de Caldas Andrade Baracioli informou que ela alega inocência.

Em nota, a SAP, Secretaria de Administração Penitenciária, disse que “identificou que agentes penitenciários cobravam propina para transferirem presos de outras unidades prisionais para o Centro de Ressocialização de Araçatuba, sendo também constatado nas investigações um esquema para inclusões indevidas de presos por meio da manutenção de relacionamentos amorosos de familiares e advogada dos detentos com o diretor da referida unidade prisional”.

A operação

Quatro mandados de prisão preventiva foram expedidos durante a operação Fura-Fila. Além do diretor do presídio, José Antônio Rodrigues Filho, uma advogada foi presa em Mirassol (SP), e o filho de um agente penitenciário, este por tráfico de drogas. O outro mandado foi para um agente penitenciário aposentado, que já estava preso.

A operação foi feita pelo Gaeco em conjunto com a Secretaria de Administração Penitenciária.

O caso

A investigação começou em maio de 2017 e identificou que agentes penitenciários cobravam propina para transferirem presos para centro de ressocialização.

Ainda durante as investigações, um agente penitenciário aposentado envolvido no esquema foi preso em flagrante por tráfico de drogas e foram apreendidos 10 quilos de entorpecentes e uma arma de fogo.

A operação contou com a participação de seis promotores, agentes da SAP e 25 policiais militares.

Fonte: G1

Enquete

Você acredita que os corruptos vão começar a pagar pelos crimes, depois da prisão do ex-presidente Lula?
Resultados
Publicidade
Banner Parceiros

Leia Também