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23 de outubro de 2018
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Saúde

‘Jovens estão adoecendo por homofobia psicológica’, diz União Nacional LGBT

Dia Internacional Contra a Homofobia celebra nesta quinta-feira (17) a data em que a homossexualidade foi excluída da classificação de doenças da Organização Mundial da Saúde, em 1990.

17 MAI 2018Por Redação/TR16h:56

O dia 17 de maio é marcado por manifestações e atos em todo o mundo para combater violência contra pessoas por identidade de gênero e/ou orientação sexual. Para a União Nacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (LGBT) no Amapá, a violência que mais têm afetado as pessoas é a psicológica.

“Jovens LGBTs estão adoecendo por homofobia psicológica, que é você reproduzir um discurso LGBTfóbico. É o que leva esses jovens ao adoecimento, de não ter acesso a uma política de saúde mental. Isso é um grande problema. Nossa juventude está sendo vítima e infelizmente está encontrando no álcool e em outras drogas, ilícitas, uma forma de enganar essa violência que sofre da sociedade”, descreveu André Lopes, diretor de relações institucionais da União Nacional LGBT.

Esse tipo de homofobia psicológica apontada por Lopes gera, entre outras consequências, problemas mentais. Para o diretor, o que vem depois dessa homofobia não é acompanhado pelo poder público.

“A gente não consegue ter dados porque infelizmente não conseguimos trabalhar a saúde mental desses jovens LGBTs, ou o tratamento que a gente possa emancipar ou acabar com a homofobia. Essa é a pior homofobia que a gente enfrenta, porque é algo silencioso, que deixa os jovens deprimidos, sem autoestima, que não conseguem ter uma relação afetuosa devido esse discurso”, citou Lopes.

Esta quinta-feira (17) é considerado o Dia Internacional Contra a Homofobia, que celebra a data em que a homossexualidade foi excluída da Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID), catálogo publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1990.

Apesar de já estar fora dessa lista há quase 30 anos, os LGBTs continuam tendo que mostrar à sociedade que nada têm de doença ao ter uma orientação sexual ou gênero diferente que o do heterossexual.

“A homofobia, que é a aversão às pessoas LGBTs, tem várias formas de como é demonstrada. A violência física é a mais cruel, quando as pessoas são mortas devido à orientação sexual e à identidade de gênero. O Brasil ainda é o país que mais mata LGBTs”, lembrou.

Na noite do dia 29 de outubro de 2017, a travesti Niely Lafontayne, de 30 anos, foi morta com um tiro no rosto e outro no abdome. O crime aconteceu em ponto de prostituição em Macapá, cometido por dois homens não identificados e, na época, o motivo ainda não era claro.

São casos como esses que elevam as suspeitas de que as mortes aconteceram ocasionadas por homofobia.

Violência moral e suicídio

Lopes ressalta que a aversão à homossexualidade chega muitas vezes em tom de “brincadeira” o que leva o LGBT a entender que ele não é aceito onde vive.

“Nós sofremos na família, na escola, na universidade, no trabalho, na sociedade em si. De todo dia chamar a pessoa de ‘viadinho’, ‘sapatão’, ‘caminhoneira’, dizer que Deus não aceita isso. A homofobia psicológica leva ao adoecimento da população LGBT e até mesmo ao suicídio, principalmente dos jovens LGBTs”, informou.

De acordo com a União, seis jovens cometeram suicídio no Amapá, de janeiro até o dia 16 de maio, por não terem a orientação sexual aceita pela família ou amigos.

“O suicídio é silencioso. O grande problema é que, quando a pessoa se mata, ninguém quer falar sobre o motivo que levou essa pessoa se matar. Claro, tem muitos fatores, mas a homofobia é um dos motivos. […] Imagina o que é para um adolescente ouvir que deve morrer porque ele tem o desejo por uma pessoa do mesmo sexo dele. Isso é muito cruel”, citou Lopes.

André Lopes, André Lopes, diretor de relações institucionais da União Nacional LGBT (Foto: Jéssica Alves/G1)

Homofobia institucionalizada

O homossexual também tem dificuldades em acessar serviços públicos devido à sexualidade, segundo a União.

“O estudo, por exemplo. As travestis não estão nas salas de aula, estão nos pontos de prostituição, porque com certeza a escola não estava e não está preparada para atender, recepcionar e fazer a permanência desses estudantes na sala de aula. Muitas vezes é o agente público impedindo essa população de ter acesso à política pública, saúde, educação, assistência social, ou até mesmo dele entrar em algum espaço devido à identidade de gênero”, comentou.

Esse tipo de barreira será tema de uma roda de conversa nesta quinta-feira, no campus de Macapá da Universidade Federal do Amapá (Unifap), através do acesso ao ensino superior. O evento chamado “Café Debate” é gratuito e inicia às 16h, na cantina central da universidade.

Fonte: G1 - Fabiana Figueiredo, G1 AP, Macapá

 

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