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16 de julho de 2018
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Polícia

Caso do pedreiro Amarildo completa 5 anos; família ainda não foi indenizada

Sentença pede pagamento de R$ 3,5 milhões aos familiares do pedreiro, mas caso ainda está em andamento. Alguns PMs, que foram responsabilizados pela tortura e desaparecimento de Amarildo, já estão soltos.

13 JUL 2018Por Redação/TR16h:53

A família do pedreiro Amarildo de Souza, que desapareceu na Rocinha em 14 de julho de 2013, ainda não recebeu indenização do Estado do Rio. Sentença estabelecida pela Justiça do Rio foi de pagamento de R$ 3,5 milhões aos familiares do pedreiro. No entanto, o caso se arrasta ao longo de cinco anos.

No dia 14 de julho de 2013, Amarildo foi levado, segundo a Polícia Militar, para prestar esclarecimentos, mas não voltou para casa. Informações sobre seu paradeiro acabaram virando uma das reivindicações da onda de protestos que passava pelo Brasil naquele ano e no ano seguinte.

O G1 conversou com a viúva de Amarildo para saber como está a família e qual é o andamento dos processos criminal e cível, que caminham na Justiça. Elisabete da Silva, de 53 anos, afirmou que o caso “acabou com a família inteira” e manifestou preocupação com o fato de que alguns policiais que foram responsabilizados pelo crime já estarem soltos.

“Não acabou só com o Amarildo, acabou com a família inteira. Tiveram os fatos de torturar, sumir com o corpo, a gente não teve como enterrar os restos mortais do meu marido. Meu marido foi morto brutalmente. Ninguém aceita um negócio desses, a gente perdeu, e eles estão na rua, já vão ser soltos. A gente está com as mãos atadas, sem saber o porquê”, disse.

A viúva Elisabete da Silva falou com G1 sobre desaparecimento de Amarildo (Foto: Jorge Soares/ G1)

Em 2016, 13 policiais militares, envolvidos no crime, foram condenados por tortura seguida de morte, ocultação de cadáver e fraude processual. Um deles, no entanto, já havia morrido quando a condenação saiu em 2016. O advogado da família, João Tancredo, afirmou que, apesar de a sentença indenizatória contra o Estado do Rio já ter sido proferida, o processo está em fase de recursos da defesa.

 “Temos a ação de indenização. A sentença foi dada, proferida em tempo adequado. Foram ouvidas diversas testemunhas, foi julgada procedente. A condenação foi de pagar a cada um individualmente por danos morais pelo sofrimento, pela perda”, disse Tancredo.

“O estado desaparece, tortura e mata o Amarildo e depois aniquila a família não pagando, não fazendo o processo andar, não prestando justiça no tempo hábil. Isso também é uma grande perversidade”, completou.

Elisabete da Silva afirmou ainda que ficou um tempo fora do Rio de Janeiro após o desaparecimento de Amarildo. Ela falou que voltou recentemente a morar na Rocinha, mas se sente incomodada com alguns comentários na comunidade.

“Eu fico incomodada dentro da Rocinha porque o caso do Amarildo foi um caso mundial. Sabe o que acontece? Muita gente me conhece e eu não conheço. Eu passo em alguns lugares e eu escuto conversas. Outro dia eu passei com a minha filha de 11 anos e um policial falou ‘Oi, Bete’. Eu não respondi e segui meu caminho. Isso me incomoda”, disse.

O G1 procurou o governo do Estado do Rio para se posicionar sobre o andamento judicial do caso do pedreiro Amarildo, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Moradores fizeram manifestação na Rocinha dias após desaparecimento de Amarildo de Souza (Foto: João Laet/Agência O Dia/Estadão Conteúdo)

Estado nega participação da PM no crime, diz advogado

A defesa do Estado do Rio ainda sustenta a teoria, segundo João Tancredo, de que o pedreiro foi liberado por policiais militares após prestar esclarecimentos em um contêiner da UPP da Rocinha. No entanto, um policial que teria participado do episódio confessou as torturas contra Amarildo.

“As defesas que o Estado apresenta sempre dizem que o Amarildo foi até o contêiner da UPP, foi levado até lá para uma investigação e foi liberado imediatamente depois. As provas feitas foi que o Amarildo foi torturado e ele era epilético. Não resistiu a essa tortura. Ele foi retirado dentro de uma capa de uma motocicleta e desapareceram com o corpo e nunca mais foi visto. Isso foram testemunhas, que estavam dentro do contêiner, que contaram, alguns policiais”, disse.

Amarildo desapareceu após ser levado para conteiner de UPP da Rocinha (Foto: Reprodução/TV Globo)

Para o advogado da família de Amarildo, a afirmação de que os PMs não participaram do desaparecimento do pedreiro é uma atitude “cara de pau”.

“O Estado do Rio de Janeiro até hoje ainda nega que foi a polícia que desapareceu com o Amarildo. Eu não consigo imaginar tamanha desfaçatez, e me permita a expressão, cara de pau para dizer um negócio desse”, disse.

Veja a situação dos PMs condenados pelo sumiço de Amarildo

Major Edson Raimundo dos Santos – Está em regime semiaberto de uma unidade da PM

Tenente Luiz Felipe de Medeiros – Está preso em uma unidade da PM

Soldado Felipe Maia Queiroz Moura - Foi excluído da corporação e aguarda julgamento em liberdade

Soldado Rachel de Souza Peixoto - Foi excluída da corporação e aguarda julgamento em liberdade

Soldado Thaís Rodrigues Gusmão - Foi excluída da corporação e aguarda julgamento em liberdade

Soldado Marlon Campos Reis - Foi excluído da corporação e está em uma unidade prisional do estado

Soldado Douglas Roberto Vital Machado - Foi excluído da corporação e está em uma unidade prisional do estado

Soldado Jorge Luiz Gonçalves Coelho - Foi excluído da corporação e está em uma unidade prisional do estado

Soldado Jairo da Conceição Ribas - Foi excluído da corporação e está em uma unidade prisional do estado

Soldado Anderson César Soares Maia - Foi excluído da corporação e está em uma unidade prisional do estado

Soldado Wellington Tavares da Silva - Foi excluído da corporação e está em uma unidade prisional do estado

Soldado Fábio Brasil da Rocha da Graça - Foi excluído da corporação e está em uma unidade prisional do estado

Major Edson Santos cumpre a pena em regime semi aberto (Foto: Janaína Carvalho / G1)

Por Matheus Rodrigues, G1 Rio

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