Polícia

Presidente e diretores estão na lista de prisões por fraudes na Santa Casa

A ofensiva cumpriu 36 mandados de busca e apreensão na Capital, Dourados e Goiânia

11 SET 2026 • POR Redação/WK • 13h23
Foto: Divulgação Gecoc/MPMS

A Operação Antidotum, que investiga fraudes de R$ 4,9 milhões em contratos na Santa Casa de Campo Grande, tem na lista de prisões preventivas Alir Terra Lima (presidente do hospital), Rinaldo Romero (diretor financeiro da Santa Casa/ setor de funcionário CLT), Beatriz Lemes da Silva (diretora do plano Santa Casa), advogado Paulo da Cruz Duarte (dono da Duarte Cruz) e Alessandro Dias Junqueira (diretor administrativo). Ao todo, a operação cumpre seis ordens de prisão.

A advogada Alir Terra está no segundo mandato no comando do maior hospital de Mato Grosso do Sul. A primeira eleição foi em 2022 e segunda no ano de 2025. Paulo da Cruz Duarte também é assessor jurídico da Santa Casa, conforme consta em processos.

A reportagem apurou que o escritório dele, no Bairro Royal Park, em Campo Grande, foi alvo de mandado de busca. Equipes também foram à Santa Cruz Saúde, na Avenida Mato Grosso, em que ele é sócio-administrador, conforme informado à Receita Federal.

A ofensiva cumpriu 36 mandados de busca e apreensão na Capital, Dourados e Goiânia (GO).

O prejuízo apontado pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) é de R$ 4,9 milhões.

A investigação, conduzida pelo Gecoc, identificou fraudes e desvios de dinheiro em contrato firmado pela ABCG (Associação Beneficente de Campo Grande), que administra o hospital, para a prestação de serviços de digitalização de prontuários, em que ocorreram pagamentos de valores elevados sem a devida contraprestação de serviços.

O contrato previa pagamento de R$ 1,8 milhão por ano e tinha vigência de três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Conforme o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), somente no primeiro ano de vigência, o desvio de recursos totalizou R$ 1,4 milhão.

No curso da investigação também foram identificadas irregularidades em contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde, empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, com diversas empresas do mesmo grupo econômico. Essas empresas, cujo proprietário tinha ligações com a diretoria da Santa Casa, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, encontrava-se desocupado.

A apuração apontou que, somente no ano de 2025, a operadora pagou aproximadamente R$ 9,6 milhões para essas empresas, e gerou um prejuízo de, no mínimo, R$ 3,5 milhões.

Durante as apurações, constatou-se que os contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente sonegados dos órgãos de controle, incluindo Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.

O valor total do prejuízo causado à Santa Casa de Campo Grande permanece sob apuração no curso das investigações. A operação contou com apoio operacional do Batalhão de Choque e com a participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados, da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil). Nome da operação, Antidotum é antídoto em latim.

Nota oficial - A Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande informou que está prestando atendimento às autoridades responsáveis pela operação realizada nesta sexta-feira, colocando-se à disposição para fornecer as informações e os esclarecimentos que forem formalmente solicitados.

"A instituição respeita e acompanha o trabalho das autoridades competentes e, neste momento, aguarda a liberação do acesso aos autos para conhecer oficialmente o conteúdo das acusações e, a partir disso, poder se manifestar de forma adequada sobre os fatos. A Santa Casa reforça que os atendimentos à população seguem normalmente, sem qualquer prejuízo à assistência aos pacientes", diz a nota oficial encaminhada à imprensa.

A reportagem tenta contato com os advogados dos citados e deixa o espaço em aberto para posicionamento.

Por: Aline dos Santos e Ana Paula Chuva/CGNEWS