Avó e tio são investigados por usarem caneta emagrecedora em menina de 11 anos em MS
A mãe da criança entrou com pedido de medida protetiva
8 MAI 2026 • POR Redação/WK • 09h22“Você está muito gorda, não pode ser a única gorda da família”. Essas teriam sido as palavras utilizadas pela avó, de 68 anos, para aplicar doses de emagrecedores do Paraguai na neta, de apenas 11 anos, em Mato Grosso do Sul. O caso foi parar na Delegacia de Polícia Civil, e a criança conseguiu medida protetiva contra a avó e o tio, de 38 anos.
Conforme o boletim de ocorrência ao qual a reportagem teve acesso, a menina foi “medicada” com duas doses do emagrecedor, popularmente conhecido como Lipoless; cada aplicação teve a dosagem de 2,5 mg. Os fatos aconteceram no final de abril, sendo que a última aplicação ocorreu na terça-feira (28).
“Você está muito gorda, não pode ser a única gorda da família, eu perdi muito peso com o Mounjaro”, teria dito a avó para convencer a criança.
As aplicações teriam sido realizadas pelo tio e pela avó, entretanto, todas ocorreram sem a autorização da mãe. Dessa forma, a genitora só descobriu o caso após buscar a menina na fazenda [onde a vítima morava com a avó] e notar que a criança estava fraca.
Descoberta
“A amiguinha dela foi visitá-la e ela pediu o celular emprestado e me mandou uma mensagem: ‘Mãe, vem me buscar, quero passar o final de semana com você’. Quando cheguei lá, ela estava muito fraca e me falou que estavam aplicando Mounjaro nela”, contou a mulher.
Após a mãe descobrir sobre a aplicação da medicação, a filha passou a relatar que estava sendo ameaçada caso ela contasse para alguém. Inclusive, a criança chegou a relatar ter ido ao Paraguai buscar o medicamento.
“Ela mesmo relatou que eles foram no Paraguai. Agora ela vai ter acompanhamento psicológico. Eles ameaçaram bater se ela contasse para alguém. Eu sempre mandava mensagem e ela falava que estava bem, mas o celular estava com a avó”, finalizou.
Reação médica
Após as aplicações, conforme o laudo médico, a menina apresentou vários sintomas, que incluíram redução de apetite, tontura, diarreia, tremores, insônia, desmaio, fraqueza e até a incapacidade de ingestão adequada de líquidos. Ela também teve quadro de desidratação, uma vez que perdeu cinco quilos em apenas uma semana.
“Ela teve que tomar soro, deu grau de desidratação. Ela perdeu cinco quilos em uma semana. Continua passando mal, ontem teve hemorragia, tive que levar para fazer reposição de vitaminas”, disse.
O uso na menina foi caracterizado pelo médico como “fora de indicação, sem respaldo clínico, sem supervisão médica e em contexto inadequado”. Agora, ela precisará passar por acompanhamento médico e também psicológico.
“Eles recomendaram psicólogo, ela está com vários pedidos de exames de sangue, mas está muito fraca ainda”, pontou.
O caso foi registrado como perigo para a vida ou saúde de outro e deverá ser investigado pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.
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