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24 de setembro de 2018
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Campo Grande MS

Controverso, corredor de motos ganha estímulo do poder público

Sucesso de área para motociclistas vai depender de uma cultura de boa vontade entre quem está sobre duas e quatro rodas

12 JUL 2018Por Redação/TR18h:18

Permitido pelo CTB (Código de Trânsito Brasileiro), mas longe de ser unanimidade, o corredor das motos entre os carros ganha incentivo do poder público em Campo Grande. O mais novo "cercadinho" para motociclistas, uma área de parada específica para motos em frente ao semáforo, foi pintada na estreita avenida Mato Grosso.

Primeiro, o código, no artigo 56, previa que era “proibida ao condutor de motocicletas, motonetas e ciclomotores a passagem entre veículos de filas adjacentes ou entre a calçada e veículos de fila adjacente a ela”.

Contudo, o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) vetou o dispositivo que proibia a circulação pelo corredor. “Foi pressionado pelas associações nacionais de transportadoras, motocicletas. Comprovaram para ele que daria melhor circulação para a via, agilidade. É o que está vigorando”, afirma o especialista Carlos Alberto Pereira.

Ou seja, a legislação manda a motocicleta ocupar o espaço equivalente ao de um veículo, mas não está impedido de usar o corredor.

De acordo com ele, a área de “motos na frente” pode ser positiva para que o trânsito flua logo que o semáforo fique verde. Contudo, vai depender de uma cultura de boa vontade entre quem está sobre duas e quatro rodas. Uma convivência que o trânsito de Campo Grande mostra longe de ser pacífica.

“Em São Paulo, nas marginais Tietê e Pinheiros, depois de muitos anos, os motoristas já se condicionaram a dispor esse corredor. Mas há alguns anos era comum ouvir reclamação de que motociclista quebravam retrovisores, forçando a abertura dos espaços, ou buzinando. Para essa sinalização de motos na frente, é necessário que haja respeito mútuo, porque o espaço é único e compartilhado”, afirma Carlos Alberto.

Conforme o gerente de fiscalização de trânsito da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), Carlos Guarini, os motociclistas já circulavam pelo corredor normalmente. “Então, o que vai fazer, é se posicionar lá na frente, em vez de ficar no meio dos carros”, diz.

Animados

Os motociclistas aprovaram o cercadinho para sair na frente. “Dá uma desafogada no trânsito. Não fica [parado] no corredor, até porque é perigoso”, afirma o estudante Bruno Benites.

 “É bem melhor do que dividir espaço com os carros. Às vezes, na hora de sair, não dão seta para virar. Ou dá seta para um lado e vira para o outro. Estando ali na frente, saímos primeiro”, afirma o chaveiro Eduardo Garcia.

Para quem está no carro, a expectativa é de trânsito melhor. “Não ficam entre os carros. Por eles serem mais ágeis, já saem na frente. É até melhor para os motoristas”, afirma o servidor público Ademir Santos, que conduzia um veículo de quatro rodas.

Impasse

Na Justiça, o corredor para motocicletas também motiva polêmica. No ano passado, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) acolheu recurso de um motoqueiro vítima de acidente e condenou o taxista que o causou a pagar indenização por danos morais no valor de R$ 15 mil.

O taxista abriu a porta do carro em movimento para se livrar de uma abelha e, com isso, atingiu o motociclista, que trafegava entre os veículos “corredor”. Prevaleceu o entendimento de que o proíbe o condutor de abrir a porta do veículo sem se certificar de que não haja risco de acidente. Já o Tribunal de Justiça do Distrito Federal negou indenização a motociclista que circulava no corredor quando foi atingido pela porta de uma viatura da PM (Polícia Militar).

O tribunal concluiu que “em caso de eventual choque da motocicleta que transita fora da via com veículos que estejam em tráfego regular, não pode ser imputada a culpa pelo acidente ao veículo que se encontra na faixa de trânsito, diferentemente da motocicleta que transita fora da via, por sob a faixa de sinalização, pois se opta por essa escolha o faz por sua conta e risco”.

Fonte: Campo Grande News - Aline dos Santos, Kleber Clajus e Mirian Machado

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